"Eu odeio prêmios de jornalismo", esse é o discurso de diversos acadêmicos e profissionais que colocam essas conquistas como forma de auto-promoção. Mas o foco mais interessante do debate é o agendamento. Os prêmios de jornalismo pautam ou não a mídia? Os repórteres fazem matérias ainda em busca de atender o bom e velho interesse público ou fazem por dinheiro e status?
Existem os dois lados nas redações e a única coisa certa é que a idéia de criar prêmios para impor uma certa agenda a imprensa funciona..
No Brasil, atualmente, existe desde o tradicional e cobiçado Prêmio Esso ao não tão conhecido Prêmio do Milho. A excessão do Esso, todos as disputas jornaslitiscas em torno de reportagens estão voltadas para algum tema.
A Agência Nacional dos Direitos da Infância (ANDI) faz isso muito bem e com objetivos nobres: colocar os direitos da criança na imprensa e em debate na sociedade.. Algumas empresas criam concursos apenas com objetivo de promover a instituição. Para os repórteres o atrativo principal é o dinheiro pago nessas disputas e o status que pode-se obter dentro dos jornais. Algumas premiações rendem aumento de salário e promoções. Mas é ético fazer uma reportagem com o único objetivo de ganhar um prêmio? Não sei a resposta, o importante é que com essas disputas tem pautado a mídia em temas que a muito tinham sido esquecidos.
Infelizmente, em alguns casos, essas premiações tentam forçar um verdadeiro Jabá. Na teoria, as matérias deveriam ser feitas para o público e com o objetivo, de certa forma, melhorar a sociedade. Fora desse mundo utópico o que existe é a força do dinheiro e as matérias são encomendadas pelas direções do jornal ou produzidas pelo profissional para ganhar medalhas. Onde foi parar o público nesse novo tipo de agendamento?
Onde sempre esteve, em segundo plano. Não sou contra os prêmios e espero poder ganhar muito até o fim da minha vida, mas quero que toda premiação venha por reportagens que tenham atendido ao interesse público.
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