Biografia de uma pauta sangrenta – parte 17
Saí da delegacia a passos rápidos. Desci a primera rua em frente a delegacia, vireia na primeira à direira e continuei a seguir reto até chegar em uma pista menor que ligava aquele bairro à uma grande avenida. Continuei no mesmo trajeto por 45 minutos, culpa dos milhares de pensamentos que se atiravam contra minha concetração. As pessoas esbarravam em mim e era como se eu fosse um fantasma, achava que podia atavessá-las até um centímetro antes do impacto. Quando dei por mim já era início de noite e eu estava em um local familiar. Olhei em volta e vi não distante o nome Maldoni piscando em letras vermelhas, era o hotel que indicaram como a localização do pai da menina. Eu precisava de uma entrevista.
Com a negativa do funcionário ele subiu para o apartamento. Paguei minha bebida em dinheiro e fui até um bebedouro ao lado da saída de incêndio. Evitei uma câmera que se mexia de um lado para outro e entrei na escadaria de emergência. Subi os quatro andares pulando dois degraus de cada vez. A porta do 408 estava aberta, uma mala à impedia de se fechar, acho que ele pretendia ir embora. Fui até lá e fiquei parado de frente para a porta. Geraldo apareceu com uma xícara de café na mão. Foi a primeira vez que vi aqueles olhos. Eles pareciam de vidro e sem sentimentos. A boca lembrava a de Maria, ou será que era a mesma boca da criança?
Peguei minha carteira de cigarro no bolso e acendi um Derby. “O que significa isso?”, me disse Geraldo com o rosto contrariado. Dei mais uma tragada profunda e soltei a fumaça por entre os dentes vagarosamente. Junto com aquela nuvem de nicotina sairam as palavras maquinalmente: “Monstro! Assassino! Sem entender o que eu dizia ele aproxima o rosto de mim e pergunta o que eu havia dito. Olho nos olhos dele, dou mais uma tragada e jogo a fumaça no rosto dele. “Você tem a boca dela”, afirmei como se contasse um segredo. Sem entender mais nada ele fez que empurraria meu peito e no reflexo dei um tapa na mão dele, apaguei o cigarro no ombro do homem e lhe empurrei com toda minha força. Ele tropeçou na mala e caiu de costas no chão. A xícara voou alguns metros para trás. Antes que pudesse gritar entrei no quarto e lhe chutei a boca. Fechei a porta e o arrastei pelos cabelos até as proximidades de uma mesa de canto.
Peguei um cinzeiro e bati com toda minha força na na cabeça uma vez, duas, três, quatro, cinco. Não conseguia parar de bater. O sangue jorrava e minhas mãos estavam completamente vermelhas. Joguei o cinzeiro em um tapete. Olhei para minhas mãos e tudo que eu via era o fim do mundo, uma cadeia nojenta e meu corpo pendurado e enforcado com um lençol. Quando olhei para o corpo a única coisa que vinha em minha mente era a boca dele. Era a mesma boca de Maria e estava suja de sangue. Peguei um lenço no bolso e limpei o rosto dele. “Essa boca realmente é a de Maria”, ressoava em minha mente. Passei mais uma vez o pano no lábio inferior e beijei aquela boca que seria de Maria. Também foi a última vez que vi aqueles olhos. (continua…)
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Mais um ótimo texto, sempre deixando aquela curiosidade… como será que vcs vão desenrolar essa história?!? Parabéns pela série!
muito bom blog e texto.
fiquei curiosa pra ver o final…
Aew, gostei da “parte sangrenta”, vou dar uma olhada nas partes anteriores e ver se realmente me interessa.
Abraço e ateh logo!
Parabéns pelos textos, ainda estou lendo e, apesar de alguns clichês pelo caminho, estou gostando.
‘té +!
Ótimo texto…
estou curioso hahahahah
posta mais =]
grande…
senti um “Q” de nelson rodrigues nesse beijo aí. rs
E adorei o nome do hotel, da onde será q vc tira essas coisas? que cabecinha mais criativa, sr Martins.
=*
Espero q o Cardoso esteja sonhando..