Extraído do blog do Marcelo Coelho(Folha)
A edição de “Veja” desta semana tem algumas matérias interessantes, como por exemplo a que fala da briga entre o Vaticano e o clero de Medjugori, que continua a explorar as supostas aparições da Virgem Maria. Ou então a que aponta a onda de hostilidades de paraguaios contra brasileiros no país vizinho.
Mas não resisto a apontar algumas pérolas da mentalidade vigente na revista.
Veja-se este extrato da seção “Blogosfera”:
ESPELHO MEU- Lucia Mandel
Botox traz felicidade?
Como a toxina impede o movimento exagerado dos músculos que originam expressões de raiva, tristeza ou medo, acredita-se ser possível que a aplicação faça a pessoa se sentir melhor. Impedido de franzir a testa ou aproximar as sobrancelhas, o paciente fica menos agressivo e até mais confiante.
COMENTÁRIO DO LEITOR: Concordo totalmente. Uso Botox e cada vez mais me sinto feliz comigo e com todos ao meu redor. Ele nos ajuda a sorrir para a vida.
Pessoalmente, minha reação seria rir às gargalhadas diante desse tipo de informação. Mas o Botox que apliquei recentemente me impede movimentos faciais exagerados.
Por falar em felicidade, veja-se (e leia-se) o que diz Alice Schroeder, autora de uma biografia do mega-especulador Warren Buffett, entrevistada na página 101 da revista.
[Buffett] me ensinou que eu não deveria pensar em ser feliz apenas aos 70 anos [...] Na verdade, tenho de ser feliz hoje, aos 50. Foi isso que ele me ensinou. Se você tem de fazer algo realmente decisivo, tem de ser agora. Eu acabei me divorciando. Percebi que meu casamento não era feliz. Tanto eu quanto meu marido estamos mais felizes hoje. Graças a Buffett.
“Buffett” pode dar idéia de “Bufê”, mas eis um trecho das indicações de “Veja” para a Ceia de Natal.
Com a crise, o jantar da noite de Natal ficou cerca de 10% mais caro em relação ao ano passado. No entanto, reunir a família em casa ainda é a opção mais econômica. Especialistas apontam os prós e os contras das principais alternativas para o dia 24.
IR A UM RESTAURANTE
Preço por pessoa: 200 reais
Vantagens: degustar pratos sofisticados e não ter o trabalho de arrumar a casa, comprar ingredientes, cozinhar e servir
Desvantagens: além de ser a opção mais cara, a festa fica menos íntima –o Natal é celebrado ao lado de muitos estranhos.
Ah, estou mais esclarecido. Pensava que o leitor de “Veja” tinha empregadas que lhe poupassem o trabalho de “cozinhar e servir” na noite de Natal. Mas a democracia progride, é verdade.
Curioso que não exista quase nenhuma menção, nas páginas da revista, ao recorde de popularidade obtido pelo presidente Lula na última pesquisa Datafolha.
Nada tenho a celebrar com os 70% de aprovação; fui crítico do governo a maior parte do tempo, continuo sendo, e estou ao lado dos adversários do PT neste momento de enfiar a viola no saco. Não deixa de ser uma violência jornalística, entretanto, o fato de “Veja” limitar a notícia do grande triunfo de Lula ao meio de uma notinha na seção “Radar”:
Nos próximos quinze dias serão divulgadas duas pesquisas medindo a popularidade de Lula -a CNI/Ibope e a CNT/Sensus. Devem repetir o recorde de aprovação revelado pelo Datafolha, na sexta-feira. Será que a crise nunca atingirá o presidente? [...]
É provável que sim. Mas minha pergunta é outra. Será que a burrice nunca abandonará a revista “Veja”?
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“Pensava que o leitor de “Veja” tinha empregadas que lhe poupassem o trabalho de “cozinhar e servir” na noite de Natal.”
O que te fez pensar isso? Acho que o leitor de Veja é bem variado. Inclui até gente que lê Veja na sala de espera do consultório.
Tirando essa ressalva, o texto está muito bom!
ô, pessoal, leiam o texto antes de comentar… o texto é muito bom!!! Vocês criticam e nem leram o texto inteiro… lamentável.