Mudanças no jornalismo impresso tradicional
Gustavo M. Braga – Repórter da equipe Manual dos Focas
No livro The Vanishing Newspaper (O jornal desaparecendo) Philip Meyer, repórter e professor da Universidade da Carolina do Norte, afirma que o último exemplar de jornal impresso circulará em 2043. Os resultados dos jornais nos Estados Unidos servem como reforço para a afirmação do nosso amigo Philip. De acordo com o empresário e consultor de mídia e tecnologia Alan Mutter, nos últimos três anos, os jornais estadunidenses perderam 42% do valor de mercado*.
Segundo artigo publicado por Eric Alterman para a revista The New Yorker, “poucas companhias foram tão punidas em Wall Street quanto aquelas que ousaram investir no ramo jornalístico. A Mc Clatchy Company (terceira maior do ramo nos EUA), única a dar um lance pela Knight Ridder quando ela foi a leilão em 2005, perdeu 80% do valor acionário desde que concluiu a aquisição de US$ 6,5 bilhões. As ações da Lee Enterprises caíram 75% desde que ela adquiriu a cadeia Pulitzer, naquele mesmo ano”.
Os dados acima são apenas uma pitada entre a avalanche de dados negativos sobre os resultados das empresas jornalísticas nos EUA apresentados por Eric**. Enquanto isso, a maioria dos executivos reage ao colapso do próprio modelo de negócios com cortes orçamentários, fechamento de sucursais, fusões, e demissões. A solução dada foi “tornar o produto menor, inútil e desinteressante” (Molly Ivins).
No Brasil a conjuntura é de aumento da circulação, alavancada pelos jornais populares. O aumento é apontado como conseqüência do contexto econômico de maior poder aquisitivo das classes C e D. Talvez este seja um sinal de que o jornal impresso está tão ultrapassado que se tornou coisa de pobre e do terceiro mundo. Você, caro leitor, tome a própria conclusão.
*ver www.mediamanagementcenter.org
** Artigo completo em http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=489JDB007
Popularity: 1% [?]

