A morte da religiosa parece fazer parte de uma série de homicídios praticados à traição (com emboscadas, pelas costas ou outros métodos que impedem a defesa da vítima). Os casos têm em comum a disputa pela posse de terras. Na maior parte das vezes, os assassinados atuavam na defesa dos interesses de pessoas humildes contra abusos de mandatários, coronéis ou gangters locais.
“A prisão preventiva[de Taradão], ordenada pelo juiz federal Antonio Carlos de Almeida Campelo, foi pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) após a descoberta de que ele estava novamente tentando tomar posse do lote 55, em Anapu, na região da Transamazônica. Trata-se de uma área de 3 mil hectares que foi grilada por ele no final dos anos 90 e pela qual um grave conflito fundiário se instalou, culminando com a morte da freira em 2005,” continua o texto da PGR.
O crime da missionária tem íntima conexão com os 42 grãos de chumbo que atingiram o peito de Chico Mendes, em Xapuri(AC). Apesar dos tiros não terem sido disparados pelasmesmasarma e o espaço entre as mortes ser de 17 anos, em ambos os casos, a negligência do poder público possui grande parcela de culpa. A nível federal permite que a partilha do solo aconteça pelo critério da força, enquanto na esfera local, inúmeras vezes está diretamente envolvido.
Existe ainda grande dificuldade em punir os envolvidos nesses atos de violência. Ricos e influentes, os mandantes conseguem com frequencia decisões judiciais ao seu favor, mesmo que as evidências de culpa sejam notórias.
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