Saturday July 31st 2010

Profissão produtor, quando seu trabalho não é seu

Quais as funções dentro do campo jornalístico? Como é o trabaho de um produtor de TV? Hoje, o Diário de um foca relata como é o trabalho na TV, conta um caso e mostra alguns dos prós e contras de ser produtor.

Por Victor Martins

Da equipe Manual dos Focas

cashierO jornalismo é uma profissão que engloba várias funções. Se alguém tem diploma de jornalista pode ser várias coisas, principalmente nos dias de hoje com o conceito de profissional multimídia. Você pode ser, repórter, fotógrafo, editor, produtor, repórter televisivo, pauteiro, coordenador, chefe de reportagem, secretário de redação, assessor de imprensa, repórter de rádio e editor de tv (espécie de subeditor que ajuda o repórter a escrever os offs e montar o VT, ele também edita as imagens).

Dedico o texto de hoje aos produtores e para definí-los bem podemo usar um chavão: Produtor é o cara que carrega o piano. As redações de TV funcionam hoje apoiadas nos ombros desse profissional, que na maioria das vezes é alguém competente que tem de farejar a pauta, entrevistar os personagens antes do repórter, marcar as locações (lugar onde serão feitas as gravações), marcar com os entrevistados. Escrever a pauta do repórter com proposta, informações, encaminhamento, lead, sublead, cabeça e pé para o apresentador (notas que são lidas antes e depois do VT). Coordenar a equipe de cinegrafista, auxiliar, motorista e repórter. Além de fazer ronda, seja em delegacias, líderanças comunitárias ou ministérios. Dependendo do seu horário, vai fechar o espelho do programa (roteiro do programa).

Continue a leitura:

Depois de ter todo esse trabalho, encontrar e publicar furos, quem assina o produto final não é você. O seu trabalho não te pertence, é de quem tiver o cargo de repórter. Para dizer que seu nome não aparece em lugar algum, naquelas letrinhas, ao fim dos telejornais, vai sair seu nome por um ou dois segundos.

É mentiroso o jornalista que disser que não tem ego. Nós começamos a nos preocupar com nossa assinatura ainda na faculdade, quando escolhemos o sobrenome do pai ou da mãe para identificar qual Jósé ou Maria seremos. Na produção, você tem de se abster dessas coisas. Além de ver, às vezes, o repórter fazer besteria com sua pauta.

Críticas a parte, o trabalho tem suas gratificações. Sempre que o telejornal acaba, dá vontade de bater palmas e abraçar a equipe técnica. É sempre um sufoco para colocá-lo no ar. Outra felicidade é quando você vê seu trabalho repercutindo em outros jornais e mídias.

Semana passada descrobri um surto de hepatite A em Águas Lindas de Goiás, duas mortes e mais oito infectados confirmados, fora os casos que a secretaria municipal e estadual não assumem. A matéria saiu no primeiro telejornal local da rede. Depois foi para os outros dois jornais locais, para os programas de Goiânia, TV a cabo e para o jornal naional da emissora em que trabalho. Além de pautar importantes veículos essa semana, como o Correio Braziliense, Globo e CBN.

A história tomou grandes proporções não por minha causa, mas porque a história tinha impacto. Fiquei orgulhoso do meu trabalho de produtor, mas só eu sei que o furo era meu. Para todas as pessoas, o furo é da repórter que gravou no local. Profissão de produtor é isso, seu trabalho não é seu.

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13 Comments for “Profissão produtor, quando seu trabalho não é seu”

  • marton says:

    Muito bom.
    É terriveol pegar pessoas que mesmo depos de muitos anos de carreira nao sabem o basico.
    Muito bom.

    abs!

  • Deivid França says:

    Muito bom !
    eu particulamente quero me envolver nessa area de comunicação, me identifico muito .
    e neste post mostra realmente o que cada um pode fazer, e o que faz certo profissional da área

  • Simone says:

    Pena que todas essas funções não sejam ditas ou mesmo trabalhadas na faculdade. ;( A gente sabe, tem noção, mas muita coisa se vê fora … já no mercado. E aí … é correr atrás do tempo perdido.

    Produtor no Brasil tb não é valorizado, como no EUA, por ex. Em que ele tem maior destaque, acompanha nas matérias tb. Coisa rara, à exceção das grandes empresas como o plim plim que destacam o produtor, o cinegrafista mas no geral .. tsc tsc tsc

    E, pior mesmo, eu diria. É ser produtor de produtora. Já viram? Faz de tudo meeessmo, secretaria total. Reserva hotel, passagem, faz o orçamento, dirige, paga conta em banco, etc etc etc … Um absurdo!rs Nada contra o aprendizado, é claro, mas … Vi uma vaga dessas recentemente que pagava R$ 1.000 por 8hs, incluindo sábado, sem qualquer benefício. E tudo assim, nos moldes que falei. E, olha que falei muito pouco …

    Mas, em particular, gosto muito da produção. Você aprende a se virar meeesmo. Só que o repórter, é claro, leva todo o crédito. ;( Digo, pq em muitos lugares, seu nome nem aparece. Mas, acho que sair filmando, dirigir com a equipe, etc etc etc .. aí já é demais. So para dizer que a coisa pode piorar meeeesmo.

    Das coisas jamais ditas na facul….rs

  • Fabio says:

    Produtor não é nem profissão regulamentada, “qualquer um pode ser” – o brasil e suas burrices intermináveis…

  • Cind says:

    A mim parece que ser produtor é quase uma vocação, como ser monge ou padre.
    É você quem consegue todo o equipamento da equipe e será responsabilidade sua se algo faltar, a princípio até mesmo é você quem faz o planejamento do que será necessário para se produzir algo. É você que vai a campo primeiro e é você que descobre tudo o que deve ser feito, é você quem tem que ficar de olho em todo o contexto da reportagem pra criar o universo dela e pra que tudo possa sair bem.
    Acho que é uma competência muito superior a de outras, pois é básica, mostra pra pessoa que qualquer coisa pode ser um boa matéria, mas é a prática que mostra se será um grande furo, claro. E daí ser um problema encontrar gente assim, pois quem tem experiência acaba saindo da área, já que não é valorizada. Acredito que andamos carentes de bons produtores, e não só no jornalismo.
    E respondendo ao colega acima, é verdade que os produtores não são regulamentados, mas existem cursos de produção (talvez bastante escassos, devido provavelmente ao ego, como explicou o post), no meu caso o curso é de produção editorial e entre outros em que a principal tarefa é se preocupar com a produção.
    Acredito que o problema hoje é outro, afinal, até mesmo os jornalistas podem vir a se “desregulamentar”. Nada contra, nem a favor, é apenas o que vem por aí.

  • deco says:

    Nunca atuei como produtor, em quase dois anos e meio de profissão. Mas comparo ao coito interrompido. Quando o negócio começa a ficar bom, você sai de cena. Entra o repórter, com a carinha bonitinha e a voz empostada. Somente. É como o volante (jogador de meio de campo) que impede o ataque adversário, rouba a bola, dribla, dá o passe e assiste ao atacante balançar as redes. É foda!!!!

  • Mônica Pinheiro says:

    post muito bom…sucesso

  • Fábio Silva says:

    Produzir e os outros ganharem o crédito, algo bem comum na vida de focas (e também dos já profissionalizados, vulgo, macacos velhos).

  • Thais says:

    Victor, muito bacana seu texto. Me diz uma coisinha: você é jornalista, né? Para trabalhar de produtor, não precisa tirar o DRT? Você tem? Indica cursos pra jornalistas que querem ter? E pra ser apresentador, precisa de DRT? Me dá uns toques?

    Beijão!!!

  • João Porto says:

    Thais também sou da equipe do blog e tomei a liberdade de responder sua dúvida. O produtor de TV, pelo menos nos veículos que trabalhei, são todos jornalistas e possuem registro profissional de jornalista.

    Para ser apresentador de TV, necessariamente não precisa cursar ou ter registro profissional como jornalista. Até porque na TV existem programas de entreternimento ao qual são comandados por comunicadores, mas nem sempre jornalistas. Apesar de ser um programa informativo o Custe o que Custar da Bandeirantes tem em seu elenco “repórteres” que não são jornalistas. Mas isso não desmerece o trabalho até porque os comediantes contratados pelo programa conseguem muito bem transmitir a informação desejada. Neste mesmo programa, que é considerado um programa de humor, possui um bom número de jornalistas que fazem a produção das pautas abordadas pelos sete homens de preto.

    Então funciona mais ou menos assim: O trabalho do produtor de TV, em programas informativos, é apurar e levantar todos os dados necessários para a realização de uma reportagem. Cabe ao repórter ou apresentador a escolha do texto e imagens mais relevantes para a matéria.

    Lógico que isso é o que diz o papel, na prática… Bom na prática o Victor Martins explicou muito bem como funciona.

  • victor martins says:

    Então Thaís, sou jornalista sim. Como o João explicou, para ser produtor não é necessário ter uma DRT específica de produtor. Nem éé necessário ter registro. O negócio é que pelo menos as grandes redes só estão contratando produtores formados, a não ser que o jornalista seja da velha guarda, da época em que não era preciso ter diploma. O João também está certo sobre os apresentadores, eles não precisam ser jornalistas, mesmo em telejornais. O apresentador de um dos jornais para o qual produzo, o DF no Ar, da Record DF, não é jornalista. Apesar disso, ele é interessante ao progrma porque tem carisma e boa expressão corporal. Não sei se você é de BRasília, mas aqui na cidade abriu um curso recentemente para quem tem interesse em TV. É um curso de Extensão ministrado por Flávio Figueiredo, no teatro Dulcina. Vou ver com ele quando vai abrir uma nova turma e posto aqui no blog. De repente convenço ele a dar uma palestra ou oficina. Pode deixar que vamos fazer mais uns posts com dicas para todas as funções do jornalismo.

  • Alexandra Martins says:

    Até mesmo dentro de outras áreas o produtor é aquela pessoa que faz o barco andar. Dentro de uma equipe de cinema, por exemplo, essa pessoa será o braço direito do diretor. Por isso é muito comum ter mais de um produtor. Dependento do projeto, pode haver um núcleo com cinco produtores. Mas claro, com um cabeça-chave para coordenar a equipe.

    Mas assim como no jornalismo, o produtor só aparece por trás dos panos. Isso quando aparece.

  • Laura Mathiasi says:

    Olá pessoal! Sou produtora do SBT Jornal do interior do Rio. Caramba! Esse texto descreve exatamente o que passamos na produção. Sou foca também, e esta é minha primeira experiência com TV. Confesso que não sei se tenho a chamada “vocação” para produção, mas estou me esforçando ao máximo para encontrá-la… em algum lugar! Acho que nesse meio televisivo a vaidade muitas vezes toma conta. Trabalhei como repórter de impresso e rádio e confesso que fazer minha própria pauta, ir para rua atrás da notícia me dá muito mais prazer do que ver o resultado nas mãos de outros. Por que além do repórter, tem a edição, o editor-chefe…e muitas vezes sua pauta se perde no meio de tantas pessoas! Mas como ainda sou apenas uma foca, tenho muita experiência para passar ainda…Sempre na luta!


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