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Diário de um foca: grandes poderes implicam em grandes responsabilidades

Postado por deco on June 27, 2009 – 15:472 Comments

Deco Bancillon

Da equipe Manual dos Focas

secretary_silhoette_typingA segunda-feira em que fui promovido havia começado como todas as outras: chata.

Como de costume, acordei atrasado. Tomei banho demorado, escovei os dentes e fiz a barba (que barba?). Escolhi um terno legal. O melhor que tinha. Aliás, o único. Coloquei uma gravata azul com nó torto e segui para o trabalho. Não tinha trânsito.

Cheguei no horário combinado, 10h. A reunião de pauta transcorreu com naturalidade. Mais ouvi do que falei. E quando falei, vi que era melhor ter me calado. Coisa de foca.

Tenho 25 anos (completados na última quinta-feira, dia 25), um carro usado bem legal e um violão sem corda. Formei-me no primeiro semestre do ano passado. Mas desde antes trabalho com jornalismo impresso. E já tinha participado de muitas outras reuniões como aquela. Só que nunca antes como repórter contratado.

Jornal de primeira, que paga direitinho. Coisa de bacana. Tem repórteres nacionais conhecidos. Alguns realmente muito bons. E focas como eu, que ainda se impressionam com esse tipo de coisa. Oh!

Lá pelas 11h, antes que os repórteres recolhessem seus bloquinhos e deixassem a mesa, o editor deu-nos um recado: “A partir de agora, Deco Bancillon será nosso repórter no Ministério da Fazenda”. Disse. Secamente. E sentenciou: “Vai ficar também com o Planejamento, Receita e Minas e Energia”.

Fiquei atônito. E mudo. Não que precisasse dizer algo, como um “muito obrigado, chefe”. Não era um aumento de salário. Mas de responsabilidade. E não se pode dizer que não nessa ocasião. Mesmo quando se está tremendo de medo. Era meu caso.

Cobrir Ministério da Fazenda envolve muita responsabilidade. Primeiro pela importância das decisões tomadas lá. A Fazenda só perde em importância para o Banco Central, que tem poder de quase tudo quando se trata de política econômica. É a cereja do bolo. Mas também um dos lugares mais difíceis de cobrir e fazer fontes.

A Fazenda não é muito diferente. E me perguntei por que o jornal queria investir num repórter sem experiência. Ó Deus, ó vida. Lamentei e comemorei comigo mesmo. Pensei que não fosse dar conta. Pensei também que poderia me tornar um repórter dos bons. Pensei, apenas.

Deixei a mesa e me dirigi a minha mesa. E ouvi de um colega, foca, um “massa, heim moleque?”. Vali-me de um “pra caraí, fi”. E nada mais.

Lembrei-me dos tempos de estagiário. Das vezes que brigava pra fazer notinha. E de Tio Ben, em seu lamurio derradeiro ao sobrinho Peter Parker, o Homem aranha: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”.

É esperar para ver.

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2 Comments »

  • Deco, meus parabéns! Espero que use seus novos grandes poderes com ética e responsabilidade. Abraços!

  • Poderes são sempre traiçoeiros. Enganam quem acha que os têm. Por isso prefiro classificar esse poder que me foi dado como ferramenta para mostrar meu trabalho. Porque, na maior parte das vezes, é duro ser foca e mostrar serviço, sobretudo pelo pouco espaço que nos dão para trabalhar. Vivi isso diversas vezes, fazendo povo fala em rodoviária e entrevistando familiar de defunto. E não teria vergonha caso tivesse de fazer tudo isso novamente para mostrar meu trabalho. Porque, no fim, o que imoporta é o jornalismo. Sempre.

    Obrigado, Amanda.

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