Diário de um foca: o dia depois do furo
Deco Bancillon
Da equipe Manual dos Focas
Acordei esta manhã mais magro. Acho que ter rasgado a calça enquanto me agachava mexeu comigo. Com meu moral. Minha integridade. Coisa de homem. Ou de gordo.
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Escolhi um terno mais folgado para trabalhar hoje. E levei comigo também, numa sacola vermelha, a calça do vexame. Iria devolvê-la ao lojista assim que saísse do serviço, lá pelas 20h30. E não aceitaria não como resposta.
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Logo que entrei na loja, o vendedor me perguntou se o terno havia ficado bom. Não respondi. Apenas lhe entreguei a sacola e pedi para que olhasse dentro dela. Ele fez que sim. E assustou-se com o que viu.
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Contei a ele do episódio da coletiva, do constrangimento de ter ficado com a bunda de fora numa cerimônia em que participaram mais de 200 pessoas. E atenuei o fato de estar presente o presidente Lula. Sorridente, o vendedor disparou: “Ainda bem que não foi o Serra”.
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Não ri.
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Contei ainda ao vendedor que havia escrito um texto sobre o episódio, e garanti a Marcone que não havia mencionado que a loja em questão é a Buckman, do 4º andar do shopping Conjunto Nacional, em Brasília. Dei a ele a certeza que não tinha revelado essas informações.
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Não tinha, ainda.
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Antes que saísse, o vendedor me pediu para que aceitasse as desculpas, e me prometeu conseguir outra calça, de um modelo maior. E admitiu: “Essas calças, volta e meia, dão trabalho. Dia desses um cliente voltou aqui reclamando que tinha rasgado. Mas acho que agora vai ficar bom, porque eu vou pedir pra costureira reforçar o cós”.
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Senti-me menos gordo.
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