Home » Diário de um foca

Diário de um foca: o dia em que virei fonte

Postado por deco on July 2, 2009 – 23:323 Comments

Deco  Bancillon

Da equipe Manual dos Focas

-

Coluna em três tempos. Cada qual à sua maneira. Um só assunto.

-

O esporro
-

buddy_2Nunca pensei em ser fonte. Quiçá dar entrevista. Mas fiz. E já me arrependo. Sobretudo porque me formei jornalista. E lá aprendi a fazer perguntas, obter respostas, questionar o mundo. Aprendi a não deixar que te enrolem, a fugir de respostas prontas, a ser repórter.
.

Estar do outro lado é dar a cara à tapa. É se arriscar num jogo que não é o seu. O jornalista que se deixa entrevistar (em assunto que não trata de imprensa) joga numa posição desconhecida. Se expõe e aceita o risco de recorrer a frases prontas. A achar que tudo sabe e que sua opinão tem poder ditar o que quer que seja. Produz factóides de si mesmo.

-

A surpresa
-

Nesta semana, recebi um email de um jornalista que me pediu entrevista.
-

Imaginei ser algo sobre o blog. Mas vi que se tratava de economia. Pensei, então, que procuravam pessoa que acabara de aportar em tal assunto. E até me fiz explicar (convencendo a mim mesmo) que, de fora, o jornalista poderia ter visão menos comprometida da cobertura.
-

E errei novamente.
-

Descobri do que falaria somente quando chegaram as perguntas. Quatro das quatro diziam respeito aos rumos da economia. Tinham como base questionamentos sobre a política de medidas e a crise financeira. Perguntas que se faria para um economista com experiência de mercado. E títulos. Não a um foca recém-formado e que mal acabara de pisar numa redação.
-

Por isso pensei em não responder. Mas me corrompi. E mandei um texto com respostas que fui treinado a ouvir das pessoas que entrevisto. Reproduzi ideias que não eram minhas. E apesar de terem saído de minha pessoa, acabei sentindo um estranhamento quando as vi publicadas abaixo de minha foto.
-

O resultado

-


Ver seu nome numa manchete choca num primeiro momento. Sobretudo quando percebe quão grande foram as palavras que lhe saíram à boca.
-

Até minha foto achei estranho na página da web. Um sentimento de êxtase (narcisista) e medo por ter conferido ao assunto opinião contundente. Quem penso que sou para opinar sobre os rumos da economia.

-

Quantos não foram os leigos que deram com os burros n’água ao tentar prever um juro sequer.
-

Por que então fiz aquilo? Nem eu sei. Mas pensarei mais vezes se me chamarem novamente.

-

leia aqui a entrevista

Popularity: 1% [?]

Leia também

3 Comments »

  • Diogo Honorato says:

    Querer entrevistar um jornalista já é uma iniciativa desaconselhável, salvo nos casos em que se trata de notório conhecedor da causa, que está lançando um livro, por exemplo. Sem falar a situação complicada de dar opiniões pessoais sobre assuntos que podem estar relacionados a sua fonte.

  • André HP says:

    Imagine como eles devem se sentir sentados a nossa frente, frenéticos com o gravador ligado.

    Abraço!

  • Alexandra Martins says:

    Já tive que dar algumas entrevistas mas sempre explicava que falava como militante e não como jornalista. Mas mesmo assim é sempre uma situação bastante complicada estar do outro lado.

Leave a comment!

Add your comment below, or trackback from your own site. You can also subscribe to these comments via RSS.

Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.

You can use these tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

This is a Gravatar-enabled weblog. To get your own globally-recognized-avatar, please register at Gravatar.