Saturday July 31st 2010

Profissão produtor: quando se está preso ao telefone

Victor Martins

Da equipe Manual dos Focas

cashierProdutor de TV é guerrilheiro que tem o telefone por metralhadora. Na minha época de guerrilha, esses aparelhos eram meus melhores amigos. Nessa função jornalística, ter uma agenda pode salvar-lhe a vida. Saber usar uma lista telefônica levanta qualquer pauta.

Certa vez, um prédio abandonado na Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal (espécie de bairro), me apareceu como uma típica pauta sem futuro. Eu era o terceiro produtor que pegava o pepino. Como gosto de dor de cabeça, resolvi produzir. O primeiro desafio: como fazer uma pauta sobre um local abandonado sem nunca ter ido lá?

O segredo era acreditar cegamente na fonte (algo não indicado no jornalismo). Em algumas emissoras o produtor sai para a rua em ocasiões raras, essa não seria uma delas. A única solução foi acreditar na fonte, um morador da região. O segundo desafio: o tal morador não queira falar nem em on e muito menos em off. Até aí tudo bem, a pauta deveria ser feita então no bom e velho estilo jornalístico de pé no asfalto e dedo na campanhia da vizinhança. Pautei o repórter e fui para casa.

No outro dia, para minha surpresa, “a matéria não rendeu”. Por que? O repórter não localizou o endereço do prédio. Irritadíssimo, requisitei os serviços do Google Maps, localizei o prédio e fiz uma versão impressa. Não satisfeito, para que a pauta não caísse novamente, precisava buscar um personagem sem sair da redação.

A solução foi encontrada na lista telefônica. Primeiro tentei telefones residênciais das rendodezas, não consegui ninguém. Pensei um pouco e resolvi acreditar que os mais ofendidos por um prédio abandonado, onde ocorrera alguns homicídios, muita prostituição e um tráfico de drogas frequente seria o comércio.

Após alguns números errados e muitas respostas negativas, uma menina, de uma vidraçaria me pareceu simpática. Depois de muitas ligações à loja dela, consegui a convencer de percorrer os arredores do prédio em busca de um personagem. Algum conhecido dela que topasse falar.

O tiro foi certeiro. Sem sair da redação, com auxílio da lista telefônica consegui encontrar um personagem para uma boa matéria. Depois disso, a lista virou banco de fontes para mim. Assim como para João Porto, um item indispensável no meu kit repórter. Além da lista, o orkut também é uma ótmia fonte de personagens. Uma das melhores utilidades que encontrei para o site de relacionamentos depois do serviço que me lembra a data de aniversáro dos amigos.

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