The New York Times matou Michael Jackson
Victor Martins
Da equipe Manual dos Focas
Se um astro do pop morresse todo dia, acabaria a crise dos jornais. Porém, a cultura entraria em colapso. No dia seguinte ao da morte de Michael Jackson, jornais impressos de todo o planeta esgotaram suas tiragens. As televisões e sites (principalmente o TMZ) explodiram em audiência. Os camêlos nunca lucraram tanto. Foi só o quinto Jackson falecer e o grito de “parem as máquinas” foi ouvido nas redações e nos escritórios da indústria de CDs e DVDs. O grande astro do pop era muito lucrativo vivo, mas morto era muito melhor: Uma mina de ouro com valores incalculáveis.
Quando uma calamidade dessas acontece, a pergunta que me vem a cabeça é sempre a mesma: por que as pessoas ficam insandecidas em busca de jornais e revistas impressos? A resposta é incerta. Uma opção é a busca por um conteúdo de confiança. Apesar do TMZ ter dado um banho de cobertura no caso Michael Jackson, as pessoas só acreditaram quando leram, viram e ouviram nos principais e mais tradicionais veículos de comunicação.
Na redação do Correio Braziliense a cena foi inusitada. Um grande repórter de economia viu o anúncio do falecimento em algum site, levantou-se e anunciou: “Michael Jackson morreu”. Todos acharam que ele estava de graça. Era a hora do fechamento. Em alguns instantes, a TV, o rádio e os sites noticiosos informavam que o astro pop estaria internado por um mal-estar. Um colega que senta ao meu lado disse: “Isso é boato, o (NY) Times ainda não deu”, sentenciou meu amigo jornalista, ao entrar no site do The New York Times. Em alguns segundos, a manchete virtual do diário foi mudada e meu amigo, então, confirmou: “Michael morreu. O Times deu!”.
Minhas conclusões são óbvias. Os jornais podem estar em crise. A pressa pela notícia é uma realidade na internet. É o que ocorre no mundo onde nossso celular nos informa de tudo a cada cinco minutos. Os veículos tradicionais perderam vendagem com o advindo da internet e da crescente presença de meios de informações mais rápidos. Apesar disso tudo, Michael Jackson só faleceu depois que “o Times deu”.
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É o poder da tradição! Imagina o que aconteceria com o mundo se não tivessem esses veículos de credibilidade. Não quero tirar de tempo o TMZ, mas o Times é o Times. Abraços!