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Dicas de uma foca fotojornalista: A importância aos detalhes

Postado por João Porto on August 11, 2009 – 17:399 Comments

Alexandra Martins
Colunista do Manual dos Focas

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Encontrar Deco Bancillon e Victor Martins ao término do trabalho é sempre uma boa pedida. E foi isso que me aconteceu semana passada quando saía do Jornal de Brasília, onde faço estágio de fotojornalismo. E depois de uma breve conversa sobre trabalhos, planos e novidades da vida esse meninos me incentivaram a continuar a escrever para o site Manual dos Focas.
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Já havia colaborado antes com algumas reflexões e dicas sobre fotojornalismo. Mas nesse texto relatarei uma aventura que passei durante uma pauta e que acabou rendendo uma capa para o jornal. Desta vez chamo atenção para a importância aos detalhes.
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Estava em Taguatinga, cidade satélite do Distrito Federal, fazendo fotos para uma matéria do caderno Tudo Casa e o assunto era a diversidade de vasos decorativos que as lojas de Brasília estavam vendendo e quais as novidades para o público interessado nesse objeto. No local onde fazia as imagens havia uma floricultura. Acredito que a dona da loja tenha aproveitado a venda de vasos para ganhar alguns trocados a mais e vender flores.
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Já estava tirando fotos há mais de uma hora quando meu celular toca. Era meu chefe dizendo que eu aproveitasse que estava em Taguatinga para fazer outra pauta por lá perto. Mas dessa vez seria de personagem: três irmãs participaram de um concurso e conseguiram ganhar um casamento de graça, com tudo pago e elas iam se casar no mesmo dia.

O desespero

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Até aí tudo bem, peguei o endereço e telefone de onde elas estavam. Na ocasião conversei com a repórter com quem ia me encontrar mais tarde e perguntei se elas (as irmãs) já estavam vestidas de noivas ou se tinham o anel de casamento em mãos. Para minha surpresa elas não tinham nada disso. O vestido e o anel só iam ser entregues um dia antes do casamento e para piorar a minha situação os noivos estavam trabalhando. Seria eu as futuras noivas, só.
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Pensei que se não arranjasse alguma coisa que simbolizasse o amor ia acabar fazendo uma foto simples e básica de três mulheres de calça jeans sorrindo pra câmera. A pauta era muito boa para ser tão simples assim e eu não podia deixar isso acontecer.
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Somado a isso naquela semana eu estava com muita sede de capa. Tinha entrado na empresa há quase um mês e via todos meus colegas ganhando foto de capa. Pensei que aquela era a minha chance.

A solução

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Lembrei de onde eu estava: uma loja de vasos decorativos e flores. Como estava nesse local há mais de uma hora já tinha conseguido criar uma boa relação com a dona do estabelecimento. Fazia algumas fotos e despretensiosamente mostrava pra ela numa tentativa de criar uma confiança e para comentar das cores fortes e bonitas dos vasos.
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Com toda essa intimidade já criada não tive medo de explicar pra ela a minha história e pedi um buque de flores emprestado com a garantia que devolveria ao término da sessão de fotos. Para minha surpresa, a segunda da tarde, essa mulher concordou em me dar um buque de flores e disse que eu não precisava devolver. “É um presente”, ela complementou.
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Agradeci demais e fui para a outra pauta já pensando em como faria a imagem e quais as opções de pose que poderia fazer com três mulheres e um buque.

A foto

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Chegando na casa as três mulheres estranharam que eu estivesse com um buque de flores na mão e acabei contando pra elas a minha história. Elas acharam muita graça e começamos a sessão de fotos.
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Pedi uma cadeira pra subir porque normalmente fotos feitas de cima pra baixo costumam ficar mais interessantes e preenchem mais o quadro. Não é a toa que é muito comum ver fotojornalistas carregando uma escadinha de um lado pro outro quando estão em pauta.buque-01
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Coloquei as três uma ao lado da outra segurando o buque de forma que as flores ficassem mais próximas da lente e deixassem os braços delas aparecerem. E claro, pedi para sorrirem.
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Fiz fotos na vertical e na horizontal porque é importante dar essas opções para o editor e para a equipe da diagramação. Nunca se sabe qual espaço teremos para a matéria, então todo cuidado é necessário. E também fiz fotos de cima para baixo e duas opções de fotos de frente: segurando o buque pra cima e a outra imagem como se as três estivessem jogando as flores.

O coração

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Acabada a sessão e mostrei algumas imagens para as irmãs que naquele momento, assim como eu, elas também estavam torcendo para foto aparecer na capa do jornal. Como a repórter ainda não havia chegado resolvemos descansar e ficamos conversando sobre o casamento, ansiedade da família e casos besteiras.capa_coracao
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Num dado momento uma delas saiu pra pegar água e percebi um buraco em formato de coração na cadeira que havia subido há poucos instantes. Na hora pedi para fazer mais uma foto com elas utilizando aquele formato de coração. Elas toparam e fiz a foto que acabou virando capa dois dias depois e uma das imagens do buque entrou na matéria.

O pedido de casamento

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Ao chegar na redação com um buque de flores na mão muitas pessoas começaram a me dar parabéns. Para algumas eu apenas agradeci e deixei a brincadeira rolar solta. Mas para outras que me perguntavam quando ia ser o casamento eu tive que explicar toda a história, que aquilo era só pra compor a imagem e que havia ganhado da dona da loja como um presente.
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Uma pessoa me perguntou o que eu ia fazer com as flores agora que tudo tinha acabado. Fiz o que qualquer outra pessoa faria no meu lugar, com um buque de flores em mãos eu entrei no embalo da história e fui pedir minha namorada em casamento. Ela aceitou, eu ganhei a capa e ficou tudo bem no final das contas.

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9 Comments »

  • Victor Martins says:

    muito bom, espero ver a história do cachorro logo logo! hahahahahaha

  • Camila Brandalise says:

    Ótima estória e ótimo conselho!

    Parabéns pela capa!

  • [...] de uma foca fotojornalista: A importância aos detalhes Resolvi voltar a escrever para o site Manual dos Focas.  Relato sobre as aventuras da capa do jornal que postei semana [...]

  • A foto ficou duca!
    E se não saísse na capa, não seria duca. Seria apenas mais uma imagem pequena, talvez em PB e que ninguém daria a devida atenção no meio das outras tantas do jornal. E é por isso que tenho saudades dessa empresa que você trabalha. O nosso esforço e a queima de massa cinzenta SEMPRE geram resultados aí no JBR!
    E não menos importante: todo o mérito da foto para você, mas não vamos nos esquecer do editor que com certeza sugeriu e “brigou” pela imagem da capa. Se não fosse ele, o que viraria esta foto? Mais uma no CEDOC ou então aquilo que falei ali em cima.
    Mandou bem, economizou no buque pra namorada, arrumou um casamento e ainda estreou a capa em grandessíssimo estilo!
    Parabéns e que suas conquistas sempre sejam acompanhadas de “aventuras” como essa.

    Beijo grande!

  • Andressa Anholete says:

    Pela capa eu já tinha dado os parabéns, mas agora vão as felicidades pelo texto (escreves bem, heim mulher?!) e pelo noivado!

    e assino embaixo do que o Jabur falou :)

    é esse desafio de conseguir uma imagem diferente, de batalhar pela foto, e de emplacar uma capa ou ao menos uma foto abertona (fotos com grande destaque no jornal)que fazem do fotojornalismo uma deliciosa cachaça.

    beijo grande

  • Victor: escreverei a história do cachorro quando terminar de tomar todas as vacinas *risos*. Em breve espero relatar essa outra aventura.

    Gabriel:é uma surpresa super agradável te ver por aqui. Quando rolar o casamento te chamarei pra fazer as fotos, topas? ;o). Com certeza o editor teve que brigar pela capa e é muito legal quando isso acontece porque sinto que meu esforço faz diferença e isso me deixa cada vez mais afim de me superar e melhorar sempre.

    Andressa: hey, valeu pela visita! E as vezes nem precisa ser uma foto pra capa. A superação de conseguir uma imagem legal pra matéria também pode render deliciosas cachaças. Claro que a capa é a cereja do bolo. Mas as vezes nem sempre se consegue isso.

    É importante lembrar que o Manual dos Focas é aberto para pessoas que queiram contar um pouco do seu diário, o Diário de um Foca. E que isso é uma proveitosa contribuição que serve desde os futuros fotojornalistas até fotojornalistas que já estão na área há muito tempo.

    É muito comum ver blogs e relatos de jornalistas sobre o seu dia-a-dia. E eu sinto muita falta de relatos de fotojornalistas sobre seu cotidiano, segredos da profissão, problemas nas pautas e entre outras situações do dia-a-dia.

    Este relato é uma tentativa de incentivar outras pessoas a participarem e colocarmos em discussão as situações complicadas do campo a e as delícias de ser um fotojornalista.

  • [...] de como se iniciar no fotojornalismo Depois do relato sobre a aventura de ganhar a primeira capa pro Jornal, algumas pessoas estiveram me procurando pedindo dicas para se tornar um bom [...]

  • Gabi Borelli says:

    Ei! Que legal ler essa aventura! Foi uma ótima idéia mesmo! E emocionante ter sido essa a sua primeira capa!!!! =)

    Beijos da repórter que não chegava nunca! hahaha

  • alexandre mazzei says:

    Gostei da estória. Mas das fotos não! O cartaz vermelho no segundo plano MATOU as fotos!!! Desvia a atenção. Faz quem vê a foto se esforçar para ler o que está escrito no cartaz VERMELHO do fundo.
    É a conhecida “importância dos detalhes”, não é?

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