
Victor Martins
Da equipe Manual dos Focas
Trabalhar em uma redação é desafiador. Nunca é fácil. Mas a coisa mais complicada quando se está nela, principalmente quando você a divide com 220 jornalistas, é conseguir concentrar-se. O barulho é intenso. De 9h30 às 21h, o local é uma turba de vozes, risadas, gritos. Do lado esquerdo, o seu companheiro de mesa te chama a cada cinco minutos. Ao lado direito, o som de uma rádio noticiosa ou de música compete com os três telefones controlados pelo apoio técnico da redação que tocam ao mesmo tempo.
Por volta das 18h começa o fechamento e o barulho aumenta. Uma falação áspera e generalizada se espalha em todas as editorias. É o desespero para fechar. Somada às vozes dos jornalistas, algumas dezenas de bocas de diagramadores começam a ditar quantos centímetros cabem em cada página. É a hora do rush para os ouvidos. Quem chega à redação, se filtrar as vozes vai ouvir um tec tec frenético de quem está pressionado pelo editor para escrever mais do que a matéria rende, ou em alguns casos, para escrever menos do que realmente gostaria por não caber na edição.
É um zoológico de sons que invade as orelhas em manada e, apesar de todo o barulho, é a hora preferida do repórter para escrever. Quando há mais tensão no ar e o dead line está apertado, quando o barulho é mais intenso e o limite entre razão e loucura é definido por uma tênue linha de paciência, um grupo de “turistas” entra na redação com suas máquinas fotográficas e sorrisos infantis de quem acabou de descobrir o mundo. Um deles vai parar atrás de você para ver o que há escrito na tela. Pede para tirar fotografia com a moça bonita que faz a TV Web e o grupo dá gargalhadas.
Em seguida, um quarteto de norte-americanos com roupas engraçadas entram pelo hall e começam a cantar em capela e sapatear. Ninguém mais consegue escrever. Todos param para ver e começam os aplausos e mais fotos. Entre um lálá e outro, o editor te chama com um aceno e diz: “Confirmado hein, 40 centímetros. Sua página fecha mais cedo hoje, é bom você apressar”. O desespero só não toma conta porque você já sabe, vai sair de um jeito ou de outro. E, mesmo sem conseguir se concentrar, a matéria fica pronta no prazo.
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Eu tenho muito mais dificuldade para me concentrar em casa. Me sinto à vontade demais.
Eu sempre gostei de ler em locais públicos e com muito movimento. Começo a estranhar quando me encontro em um ambiente mais tranquilo.
Adorei a descrição dos visitantes na redação durante o fechamento. Deveria ter uma cláusula proibindo turistas durante este momento tão tenso.
Até poderiam colocar placas ao lado das mesas com os dizeres “Proibido conversar com o jornalista durante o fechamento” ou “Não dê comida aos jornalistas.”
=))))
Sou a favor do fone de ouvido com uma boa playlist.