Diário de um foca: Treinadores irritados sempre dão pauta
João Porto
Da equipe Manual dos Focas
Brasília – Falar com treinadores de futebol é uma oportunidade divertida na cobertura esportiva. Isso porque, geralmente eles não dizem frases feitas (apenas para a televisão) e boa parte dos técnicos tem um humor bastante instável, que muda de acordo com a campanha do time.
Recentemente participei de uma confusão aqui em Brasília com um treinador renomado da cidade. Ele é um profissional competente e também uma pessoa bacana de se conversar, por vezes, até bem humorado.
Acontece que o dito técnico perdeu algumas partidas seguidas e seu elenco sofreu uma crise interna, alguns membros do clube foram demitidos e muita gente saiu jogando porcaria no ventilador. Resultado: clima de tensão constante no centro treinamento e o técnico não quis falar com a imprensa.

Por dois dias educadamente eu pedi para que ele me desse uma entrevista. Entretanto o treinador sempre escorregava pelos lados. Cheguei ao jornal e escrevi uma matéria caprichada sobre o silêncio do treinador, aproveitei para reviver a crise da semana passada e comentar os resultados ruins do time. Comentei no meu texto que o técnico tinha três jogadores suspensos e talvez não quisesse falar com a imprensa devido a todos os problemas que se passavam no clube. Minha postura não foi diferente de outros jornais e sites que cobrem o dia-a-dia do time.
Pelo visto o carrinho que demos no treinador contribuiu com a insatisfação do técnico que no final do coletivo veio lavar roupa suja com a imprensa. Confesso que fiquei um pouco chateado, afinal de contas ele veio tirar satisfação primeiro com o meu concorrente, vai ver o treinador não assina o jornal que eu trabalho.
Quando ele começou a gritar com o meu colega fui em direção da briga para ajudar a apimentar mais a discussão. Alguns jornalistas que acompanhavam o bafafá preferiram não “entrar de sola” no bate-boca, mas fiz questão de entender as lamentações do treinador.
De cabeça quente, o técnico se ateve a falar que a imprensa só sabia criticar o trabalho dele e nenhum dos jornalistas queria saber de notícias boas. Alguns colegas ficaram assustados, mas aqueles repórteres que tinham maior experiência não conseguiam esconder a satisfação de ouvir o treinador criticar o trabalho que desempenhamos todos os dias naquele centro de treinamento.
Confusões desse porte contribuem com o trabalho de um setorista de clube. Todos os dias o setorista de futebol precisa arrancar uma matéria diferente para o jornal. Nem sempre os times jogam duas vezes por semana, o que dificulta o nosso trabalho informativo. Confusões e problemas de relacionamento na equipe sempre viram pauta em semanas de poucos jogos, principalmente se o elenco não mostra um bom desempenho no campeonato que disputa.
Obviamente que o bate-boca após o coletivo estampou as principais apostas (matéria que abre a editoria) dos cadernos de esporte no outro dia. Manter um bom relacionamento com o time que se trabalha é importante, mas se indispor, às vezes, é necessário.
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Muito boa a revelação dos bastidores da notícia ( como diria Caco Barcellos). Realmente, eu sempre fico imaginado que os reorteres de esporte têm de ser os mais criativos. Mais tem uma imensa vantagem. Sempre serão lidos! A galera se amarra em esporte (futebol) e mesmo que seja uma notinha sobre a nova chuteira que o atacante reserva está usando a galera quer saber!
Abs e parabéns pelo texto!