O fantasma da ditadura: blogueiros são censurados no MT

Victor Martins
Da equipe Manual dos Focas
O Brasil está criando um terrível hábito de censura prévia ao ignorar os princípios da liberdade de expressão instituídos pela Constituição Federal. Até mesmo a internet, que tem como um dos valores fundamentais a liberdade de informações virou alvo desse mau caratismo que toma conta de instituições sérias e repeitáveis. Isso mostra que apesar do país ter melhorado e evoluído, a doença que não ouso chamar de corrupção ou de vista grossa, ainda prevalesce manchando nossa pele. Doença que nos mata há pelo menos 500 anos.
Por um lado mostramos que somos sobreviventes. O povo brasileiro resistiu aos militares, à hiperinflação, aos planos econômicos furados, à fome, ao tráfico de drogas. Por outro lado ainda precisamos aprender a gritar alto contra atitudes como a do juiz Pedro Sakamoto (Cuiabá -MT), que proíbiu os blogueiros Adriana Vandoni e Enock Cavalcanti de emitir opiniões acerca do deputado estaudal José Riva, acusado de corrupção no estado matogossense.
Riva é presidente da Assembléia Legislativa do MT e réu em mais de 100 ações por susposto esquema de desvio de cerca de R$ 80 milhões. De acordo com o site da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), os dois blogueiros não deverão emitir qualquer opinião até que o processo seja julgado em todas as instâncias. Em seu blog, Vandoni ironiza que isso faria com que ela só pudesse publicar suas opiniões “daqui uns 25 anos” – porque embora o deputado responda a 119 processos judiciais, nunca foi condenado por nenhum deles.
Apesar do absurdo jurídico e moral, a mídia da região não deu apoio aos dois – semelhante ao caso Estadão, que nesta segunda-feira (23/11) completa 115 dias sob censura e que a imprensa nacional também não deu apoio ou pouco falou sobre o assunto. Revoltados, os blogueiros censurados pretendem entrar com um recurso para pedir o fim da liminar. “Me sinto ultrajada, amarrada”, disse Adriana Vandoni à Abraji. Frase que deveria resumir o sentimento de todo e qualquer jornalista que ainda acredita em um estado democrático de direito.
Em um país onde já se sofreu o bastante com o Ato Institucional nº 5, decreto militar que calou a boca do país na base da porrada durante a ditadura, é necessário fazer muito barulho contra decisões judiciais desse tipo. É perigoso ficar calado. Se liminares desse tipo começarem a se repetir no país, teremos trocado uma ditadura escancarada por uma velada, mas nada tímida.
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