Catarina Barbosa
Da equipe Manual dos Focas
Belém - A minha primeira aula na universidade de jornalismo foi em 2007. Mas, antes mesmo de entrar para o curso e escutar os meus professores byronianos depreciar a profissão, eu já ouvia repetidamente que o jornal impresso ia acabar; a rádio ia deixar de existir; a televisão na forma como nós conhecemos ia sumir do mapa. Tudo em função do avanço devastador da internet.
Passaram-se exatamente três anos, e eu não vi nada disso acontecer. Não da forma nostradâmica como anunciaram. A internet avançou, mas o jornalismo não morreu. Os jornais impressos continuam vivos. Aos trancos e barrancos, mas continuam. Um exemplo da dificuldade enfrentada pelos jornais é a queda na venda de exemplares, o que não foi somente uma profecia dos meus professores. Veio acompanhada de dados estatísticos. O Instituto Verificador de Circulação (IVC) em sua última pesquisa, realizada em outubro de 2009 apontou que a maioria dos jornais do Brasil perdeu leitores. Em compensação, a internet foi a luz no fim do túnel para todos os veículos que pretendem continuar na disputa pelo mercado consumidor.

Ao deixar para trás o conservadorismo e fazer da rede mundial de computadores uma aliada, o jornalismo se deparou com as novas mídias, que vieram não só para conectar pessoas, mas também para facilitar a vida de todos – em especial a dos jornalistas. Twitter, blog, orkut, msn, gtalk. Enfim, dependo do que você deseja encontrar, há vários caminhos a seguir.
Assim, a morte do jornalismo, sobre a qual escutei em demasia, pode ser traduzida na verdade como uma metamorfose. Não tão bonito e visível como a lagarta que vira borboleta, mas simbolicamente as novas mídias metamorfosearam a nossa forma de trabalhar. Hoje, o jornalismo ganhou asas. As novas mídias nos permitem voar e ter acesso à pessoas e locais com uma velocidade que antes era quase impossível imaginar.
Mas apesar das mudanças visíveis, há coisas que permanecem, não importa em que mídia você esteja. No caso do jornalismo, a essência é a verdade. A notícia boa é aquela com respaldo, com apuração bem feita. Confirmar uma informação que será veiculada ao público é fundamental para a sua credibilidade profissional, e também para a credibilidade do veículo para o qual você trabalha. As “barrigadas” prejudicam muito a carreira de um jornalista. Um foca então, nem se fala. Como tudo é novo para a gente que está entrando no mercado agora, atenção redobrada na hora de apurar não é capricho, é uma necessidade.
A regra é old school: todo jornalista tem e deve manter suas fontes. Elas são a chave para os furos de reportagem, e o caminho alternativo quando as fontes oficiais não querem falar de jeito nenhum. Nesse ponto, a mídia digital ajuda muito. Entretanto, como qualquer outra informação, deve ser checada e rechecada. Mas, como saber se uma fonte digital é ou não verdadeira?
O pesquisador Juliano Spyer concedeu uma entrevista ao Comunique-se e separou algumas dicas, em especial para o uso do twitter. O primeiro passo é verificar quem a sua fonte está seguindo, se tem vínculo social com a pessoa que segue, e o tipo de mensagens a pessoa (perfil) deixa. Ele alerta que perfis falsos normalmente têm uma agenda definida, baseada, em sua maioria, por temas humorísticos ou políticos.
Na tentativa de manter a credibilidade na rede, o twitter conta agora com um selo de autenticidade, liberado após comprovar que o perfil é verdadeiro. O selo “Verified Account” é usado por algumas celebridades nos Estados Unidos, e aqui no Brasil por perfis famosos, como o @marcelotas, @huckluciano, e @realwbonner.
De toda forma, a apuração jornalística na rede requer toda a sua atenção foca! A Jovem Pam AM/SP, por exemplo, se baseou em um perfil falso da Hebe Camargo para divulgar uma notícia sobre o estado de saúde da apresentadora. Depois teve que retirar a notícia do ar, porque a informação não era verdadeira.
O fato é que qualquer um pode ser enganado na internet. Não adianta se iludir. Mas, nós, jornalistas focas, que queremos um espaço ao sol no mercado, devemos ficar mais que atentos e levar a base do relacionamento pessoal para o mundo virtual. Não esqueça: Antes de levar à frente o que uma pessoa ou fonte fala, é bom saber se ela é confiável. Mesmo que seja, confirme com outra, porque informação repassada deixa de ser responsabilidade do outro e passa a ser sua.
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Vamos lá…
todos nós, os focas, no inicio caimos em barrigadas. isso acontece desde que as geleiras eternas da Siberia eram só um cubo de gelo. agora com as novas midias o erro não só ficou mais grave como mais facil de ocorrer.
Concordo com vc, nada melhor do que uma boa apuração!
Ótima reflexão, Catarina! Nem sabia desse selo de autenticidade. Mas será que só isso pode garantir a credibilidade na informação divulgada? Pra corroborar com seu texto postei um sobre uma barrigada que demos lá na rádio, rsrsrs.
Abs
Acho que no fim, tudo acaba no mesmo ponto: apuração. Pra mim, o selo “Verified Account” é valido, por garantir a autenticidade de pessoas famosas na rede, como foi o caso que envolveu a jornalista da Jovem Pam AM/SP, que se baseou em um fake da Hebe Camargo.
Mas o melhor é mesmo checar a mesma informação com mais de uma fonte.