
Victor Martins
Da equipe Manual dos Focas
“A internet vai arrasar o modelo atual de televisão, a começar pelos sistemas de TV paga”. Essa frase apocalíptica foi retirada de um artigo publicado no Digestivo Cultural e é do co-fundador do Youtube, Chad Hurley, dita em uma recente passagem por São Paulo.
As palavras de Hurley soam como a confirmação de que nada passará incólume à internet. Nem mesmo o rádio e a TV. Nos últimos anos houve uma onda crescente de migrações radiofônicas para a web. Rádios profissionais e de tradição passaram a transmitir a programação em sites. Outros milhares de estudantes universitários, sindicatos e entidades de classe, que antes pirateavam frequências AM e FM, passaram a veícular seus programas por meio da internet.
Quando o co-fundador do Youtube falou em sacolejar o modelo atual de televisão ele não fez referência somente ao poderio do seu site. Com certeza também tinha em mente o concorrente JustinTV. Que aos poucos se torna tão popular quanto o Youtube, principalmente entre os jovens. A ameaça principal desse novo site é à TV paga.
Nele está a disposição do internauta toda a programação do Sport TV, Telecine, HBO, Playboy TV, Carton Network, Sony e todos os canais existentes no mundo. Inclusive os canais abertos. É possível ver a novela das oito com todas as suas propagandas e canções repetitivas em tempo real, apenas com alguns segundos de delay. Em pouco tempo, se o dinheiro de organizações poderosas não fechar o Justin TV, será preciso repensar o modo de fazer televisão. Uma discussão semelhante a do fim dos jornais impressos e livros de papel chega em um movimento silêncioso e continuo às mídias eletrônicas.
Uma das grandes “sacadas” do JustinTV é a possibilidade de qualquer um ter o próprio canal. Diferentemente do Youtube, o internauta não posta vídeos, mas transmite ao vivo o que deseja mostrar ao mundo. Uma webcam, um computador, somados a uma boa idéia podem se transformar em sensação e bater a audiência de qualquer programa televisivo ou de rádio.
Os canais mais procurados, ao menos no Brasil, são os esportivos e os de pornografia. Stripers norte-americanas ou europeías usam o site para ganhar dinheiro à distância, tudo em tempo real. A todo instante pessoas deixam a televisão para ver somente os programas audiovisuais da web. O mundo nunca foi tão globalizado. Chad Hurley não falou da boca para fora. A internet vai arrasar a televisão.
* Artigo publicado originalmente pelo Manual dos Focas em 12 de outubro de 2009
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Não há dúvidas de que, em breve, internet e TV se transformem em um único meio. Mas é preciso ter clareza de que é uma transformação lenta, e não imediata. A promiscuidade da internet garante a resistencia de muitos, mas não impede esse processo.