Emily Garcia
Da equipe Manual dos Focas
Belém - Gostaria de dividir minha experiência (não muito boa), um exemplo de como o uso do twitter sem a devida criticidade pode levar alguns jornalistas a cometerem erros. A afobação de dar a notícia em primeira mão, misturada com a credibilidade questionável que o twitter tem, pode se tornar uma mistura bombástica para o trabalho de apuração do jornalista.
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Muitos políticos e outras autoridades de governo já aderiram ao twitter. Alguns deles postam texto próprio, outros se utilizam de assessores de imprensa para manter o perfil atualizado. Não raro esses políticos gostam de postar notícias quentinhas, diretamente de audiências públicas ou de reuniões das quais participam. Essa prática, por vezes, pode passar a falsa impressão de que tudo o que é publicado no twitter tem validade e está livre de qualquer contestação, e aí começa um problema.
Jornalistas e twitteiros devem tomar muito cuidado para não acreditar em qualquer informação divulgada no twitter, um cuidado que não tivemos lá na rádio onde trabalho. Em dezembro do ano passado trabalhei na cobertura da cassação do prefeito de Belém, Duciomar Costa (PTB)
Eu estava de repórter e tinha ido cobrir a coletiva de imprensa do advogado de defesa do prefeito. Fui até a prefeitura, apurei e repassei as informações para a equipe na rádio. A intenção era dar a versão de Duciomar no nosso boletim de notícias, que ia ao ar em meia hora.
No noticiário demos o direito de resposta ao prefeito, como seria o correto, mas como nota-pé disse que José Priante (PMDB) acabara de empossar como novo o prefeito de Belém, na Câmara de Vereadores. A questão é que essa informação foi retirada do twitter de um vereador da capital. Lembro que ainda falamos assim “segundo o twitter do vereador fulano de tal, Priante é o novo prefeito de Belém”.
Priante, de fato, esteve na Câmara e mostrou um documento que supostamente lhe dava o direito de ser diplomado. O fato é que não tinha como isso acontecer antes da cassação ser publicada no Diário Oficial do Estado – era uma sexta-feira e a publicação se daria na segunda. Ou seja, demos uma barrigada, caímos no conto do vigário ao acreditarmos piamente numa informação do twitter. Podíamos ter apurado, ligado para a Câmara, enfim, ter ouvido outras fontes. Mas, erramos em nome do furo, da exclusividade, e nos esquecemos do primeiro mandamento da profissão: apurai.
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Realmente o Twitter é um fenômeno encantador, mas como tal, possui armadilhas! Bacana o seu relato, Emily! De uma certa forma serve de alerta, aliás, de lembrete para muitos que, como eu, já utilizam essa rede social como um dos instrumentos de busca de pautas e de notícias.