Artigos

Diversos textos sobre o jornalismo e a sociedade moderna.

Dicas

Informações úteis para jornalistas iniciados e iniciantes. Aproveite e compartilhe sua experiência.

Editorial

A opinião dos Focas sobre os assuntos que perturbam ou divertem o cotidiano.

Notícias

As principais informações do mercado jornalístico você encontra aqui.

Serviços

Palestas, cursos, pautas, estágios, empregos e eventos relacionados a comunicação.

Home » Artigos

Os talentosos serão reconhecidos no mundo sem diploma

Postado por João Porto on January 25, 2010 – 12:308 Comments

Léo Luz
Da equipe Manual dos Focas

Rio de Janeiro – Enquanto outras pessoas discutem “falta de qualificação”, “deflação nos salários do mercado” e outras questões que ficam no campo do achismo, pra mim a grande questão – com o perdão da redundância – dessa questão – de novo – do diploma foi a (nada de questão aqui) eterna discussão “Talento x Qualificação Formal”. Explico. Algumas empresas – não só da área de comunicação – privilegiam o conhecimento geral e o talento ao contratar um funcionário. A formação (mais redundância) formal, tem um peso menor. Já outras sequer se interessam pelo talento ou pelos conhecimentos gerais do candidato, sendo, para estas, a formação já suficiente para garantir uma vaga.

A melhor forma de se manter vivo no mercado é reinventar sempre.

E há algumas empresas que fazem contratações das duas maneiras: pessoas talentosas são contratadas pelo seu talento, enquanto pessoas com uma boa base teórica são contratadas por isso. Voltando ao início do texto, para mim a não-obrigatoriedade do diploma vem para recompensar os candidatos que, por alguma maneira, não possuem a formação de jornalismo, mas possuem talento de sobra. E, ao contrário do que argumentam algumas pessoas, esta situação NÃO vai tirar o emprego de quem possui a formação em jornalismo, mas TAMBÉM tem talento. Vai atrapalhar sim, quem usava – usa – a formação como muleta. Como uma maneira de se acomodar. E estes profissionais DEVEM, inclusive, se atrapalhados, para o bem do jornalismo.

Na minha leiga opinião, não é justo alguém ser preterido a uma vaga em virtude de ainda não ter concluído o curso superior, ou por ser formado/estar estudando outra área. E agora vem uma parte importante: se nos últimos anos o diploma era obrigatório, por que tantos erros de português, erros no uso das palavras, textos mal construídos e matérias que poderiam ter sido escritas pelo tradutor do Google, tamanha desenvoltura do texto? Simples: porque as universidades de jornalismo NÃO formam JORNALISTAS. Formam técnicos. Quem forma JORNALISTAS é a vida, são as redações, a convivência com gente boa e talentosa.

E com uma geração cada vez mais tecnológica e cada vez menos leitora, essa não-obrigatoriedade do diploma vem em um bom momento, pois vai trazer ao mercado pessoas com talento e vontade que não necessariamente são jornalistas formados, mas que são pessoas que lêem muito, escrevem bem, sabem dialogar com o leitor, prender o ouvinte/telespectador. E isso, infelizmente, não se ensina em faculdades. Ou felizmente…

p.s.: Os fãs do jornalismo literário – assim como eu o sou – com certeza aprovarão a entrada de pessoas talentosas no mercado para ressuscitar esse gênero já morto, enterrado e queimado vivo em terras tupiniquins.

Popularity: 4% [?]

Leia também

8 Comments »

  • Tancy says:

    Conheci este site há uma semana, e adorei! As discussões são muito pertinentes e sensatas, ainda mais quando acabamos de sair da academia. Concordo que o talento é fundamental, e que o conhecimento, a bagagem cultural não é conquistada nos bancos das Universidades. porém, acredito que talentos devem ser lapidados. precisamos de pelo menos uma base técnica que pode ser facilmente aprendida, se nos derem a oportunidade.

  • Partilho da mesmíssima opinião. Acadêmica do sétimo período de jornalismo, confesso estar cansada de ver coleguinhas se lamentando pelos cantos, fazendo passeatas com nariz de palhaço e outras coisas mais em nome de um papel. Pergunte a esses mesmos alunos quem é Tom Wolfe ou Gay Talese para ver quantos saberão a resposta.

  • Pedrinho Câmara says:

    Ainda acredito no papel da academia para a formação de bons jornalistas, sem, no entanto, desprezar a prática. Sou dos que não veem problemas na desobrigatoriedade do diploma. Mas discordo veementemente da forma como o assunto foi tratado pelo foca.

    Ei-los meus questionamentos:

    Frase 1: "Na minha leiga opinião, não é justo alguém ser preterido a uma vaga em virtude de ainda não ter concluído o curso superior, ou por ser formado/estar estudando outra área".

    Dúvida: Devemos, então, nos permitir ser operados por alunos de medicina? Ou ser defendidos ou processados por estagiários de escritórios de advocacia? Ou morar em prédios projetadas por alunos? Acho que não é o caso. Prefiro os profissionais bem formados e com experiência.

  • Pedrinho Câmara says:

    Frase 2: "Com uma geração cada vez mais tecnológica e cada vez menos leitora, essa não-obrigatoriedade do diploma vem em um bom momento, pois vai trazer ao mercado pessoas com talento e vontade que não necessariamente são jornalistas formados"

    Dúvida: Pelo que me lembre, a época em que mais li foi quando estudante, quando só o que me importava era discutir e questionar a cobertura da imprensa. Hoje, que sou jornalista profissional e trabalho em jornal, apenas me informo. Não tenho mais tempo de ler de cabo a rabo os principais jornais. Nem de ler artigos e livros acadêmicos. E temo estar esquecendo alguns conceitos importantes que aprendi na faculdade; e também matérias que nunca mais convivi, como estética, sociologia e antropologia, que, apesar de não me ajudarem em matérias, fizeram com que eu me tornasse um profissional mais pensante.

  • Léo Luz says:

    Pedrinho, com relação à sua Dúvida 1:

    Você acha MESMO que a faculdade de jornalismo tem coisas tão técnicas a ensinar como engenharia, medicina ou direito? Acha MESMO? Você conhece algum BOM advogado, engenheiro ou médico NÃO-FORMADO? Jornalista eu conheço vários…

    Dúvida 2:

    Você é um ponto fora da curva. Nas universidades de hoje o mais comum são jovens que não lêem nada, que passam nas coxas e lêem somente resumos. Infelizmente.

  • Rose says:

    Leo, não iam votar novamente sobre a obrigatoriedade? Estou perdida, sabe no que deu?

  • Pedrinho Câmara says:

    Caro Léo, jornalismo está para as ciências humanas como a economia para as ciências sociais.

    Partem de referenciais técnicos e teóricos, mas se encontram no campo da prática. E do empirismo, diversas vezes. Uma teoria econômica pode não se aplicar a um país independentemente de ter sido bem-sucedida em outro. Porque não se trata de uma ciência exata, onde dois e dois dão quatro. Assim como ela, estão a medicina e o direito, que podem trazer diferentes explicações e procedimentos para uma só questão. Curandeiros podem ser bons médicos, apesar da falta do diploma. E bons cidadãos podem advogar em causa própria, caso assim optem. Com o jornalismo é a mesma coisa. Teremos sempre bons profissionais que nunca passaram por um banco de escola. E esses merecem, sim, estar empregados e produzindo um bom conteúdo noticioso. Mas sempre haverá espaço para os jornalistas com diploma, que, em tese, têm acesso mais fácil à conhecimentos dos bancos escolares que os ajudarão a produzir matérias além do lugar comum.

  • [...] da PEC do diploma de Jornalismo pode ser analisado em julho – multiplicam-se sites de protestos – os mais talentosos serão reconhecidos no mundo “sem diploma” – http://www.mundosindical.com.br View This Pollonline [...]

Leave a comment!

Add your comment below, or trackback from your own site. You can also subscribe to these comments via RSS.

Be nice. Keep it clean. Stay on topic. No spam.

You can use these tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

This is a Gravatar-enabled weblog. To get your own globally-recognized-avatar, please register at Gravatar.