Os talentosos serão reconhecidos no mundo sem diploma
Léo Luz
Da equipe Manual dos Focas
Rio de Janeiro – Enquanto outras pessoas discutem “falta de qualificação”, “deflação nos salários do mercado” e outras questões que ficam no campo do achismo, pra mim a grande questão – com o perdão da redundância – dessa questão – de novo – do diploma foi a (nada de questão aqui) eterna discussão “Talento x Qualificação Formal”. Explico. Algumas empresas – não só da área de comunicação – privilegiam o conhecimento geral e o talento ao contratar um funcionário. A formação (mais redundância) formal, tem um peso menor. Já outras sequer se interessam pelo talento ou pelos conhecimentos gerais do candidato, sendo, para estas, a formação já suficiente para garantir uma vaga.
E há algumas empresas que fazem contratações das duas maneiras: pessoas talentosas são contratadas pelo seu talento, enquanto pessoas com uma boa base teórica são contratadas por isso. Voltando ao início do texto, para mim a não-obrigatoriedade do diploma vem para recompensar os candidatos que, por alguma maneira, não possuem a formação de jornalismo, mas possuem talento de sobra. E, ao contrário do que argumentam algumas pessoas, esta situação NÃO vai tirar o emprego de quem possui a formação em jornalismo, mas TAMBÉM tem talento. Vai atrapalhar sim, quem usava – usa – a formação como muleta. Como uma maneira de se acomodar. E estes profissionais DEVEM, inclusive, se atrapalhados, para o bem do jornalismo.
Na minha leiga opinião, não é justo alguém ser preterido a uma vaga em virtude de ainda não ter concluído o curso superior, ou por ser formado/estar estudando outra área. E agora vem uma parte importante: se nos últimos anos o diploma era obrigatório, por que tantos erros de português, erros no uso das palavras, textos mal construídos e matérias que poderiam ter sido escritas pelo tradutor do Google, tamanha desenvoltura do texto? Simples: porque as universidades de jornalismo NÃO formam JORNALISTAS. Formam técnicos. Quem forma JORNALISTAS é a vida, são as redações, a convivência com gente boa e talentosa.
E com uma geração cada vez mais tecnológica e cada vez menos leitora, essa não-obrigatoriedade do diploma vem em um bom momento, pois vai trazer ao mercado pessoas com talento e vontade que não necessariamente são jornalistas formados, mas que são pessoas que lêem muito, escrevem bem, sabem dialogar com o leitor, prender o ouvinte/telespectador. E isso, infelizmente, não se ensina em faculdades. Ou felizmente…
p.s.: Os fãs do jornalismo literário – assim como eu o sou – com certeza aprovarão a entrada de pessoas talentosas no mercado para ressuscitar esse gênero já morto, enterrado e queimado vivo em terras tupiniquins.
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Conheci este site há uma semana, e adorei! As discussões são muito pertinentes e sensatas, ainda mais quando acabamos de sair da academia. Concordo que o talento é fundamental, e que o conhecimento, a bagagem cultural não é conquistada nos bancos das Universidades. porém, acredito que talentos devem ser lapidados. precisamos de pelo menos uma base técnica que pode ser facilmente aprendida, se nos derem a oportunidade.
Partilho da mesmíssima opinião. Acadêmica do sétimo período de jornalismo, confesso estar cansada de ver coleguinhas se lamentando pelos cantos, fazendo passeatas com nariz de palhaço e outras coisas mais em nome de um papel. Pergunte a esses mesmos alunos quem é Tom Wolfe ou Gay Talese para ver quantos saberão a resposta.
Ainda acredito no papel da academia para a formação de bons jornalistas, sem, no entanto, desprezar a prática. Sou dos que não veem problemas na desobrigatoriedade do diploma. Mas discordo veementemente da forma como o assunto foi tratado pelo foca.
Ei-los meus questionamentos:
Frase 1: "Na minha leiga opinião, não é justo alguém ser preterido a uma vaga em virtude de ainda não ter concluído o curso superior, ou por ser formado/estar estudando outra área".
Dúvida: Devemos, então, nos permitir ser operados por alunos de medicina? Ou ser defendidos ou processados por estagiários de escritórios de advocacia? Ou morar em prédios projetadas por alunos? Acho que não é o caso. Prefiro os profissionais bem formados e com experiência.
Frase 2: "Com uma geração cada vez mais tecnológica e cada vez menos leitora, essa não-obrigatoriedade do diploma vem em um bom momento, pois vai trazer ao mercado pessoas com talento e vontade que não necessariamente são jornalistas formados"
Dúvida: Pelo que me lembre, a época em que mais li foi quando estudante, quando só o que me importava era discutir e questionar a cobertura da imprensa. Hoje, que sou jornalista profissional e trabalho em jornal, apenas me informo. Não tenho mais tempo de ler de cabo a rabo os principais jornais. Nem de ler artigos e livros acadêmicos. E temo estar esquecendo alguns conceitos importantes que aprendi na faculdade; e também matérias que nunca mais convivi, como estética, sociologia e antropologia, que, apesar de não me ajudarem em matérias, fizeram com que eu me tornasse um profissional mais pensante.
Pedrinho, com relação à sua Dúvida 1:
Você acha MESMO que a faculdade de jornalismo tem coisas tão técnicas a ensinar como engenharia, medicina ou direito? Acha MESMO? Você conhece algum BOM advogado, engenheiro ou médico NÃO-FORMADO? Jornalista eu conheço vários…
Dúvida 2:
Você é um ponto fora da curva. Nas universidades de hoje o mais comum são jovens que não lêem nada, que passam nas coxas e lêem somente resumos. Infelizmente.
Leo, não iam votar novamente sobre a obrigatoriedade? Estou perdida, sabe no que deu?
Caro Léo, jornalismo está para as ciências humanas como a economia para as ciências sociais.
Partem de referenciais técnicos e teóricos, mas se encontram no campo da prática. E do empirismo, diversas vezes. Uma teoria econômica pode não se aplicar a um país independentemente de ter sido bem-sucedida em outro. Porque não se trata de uma ciência exata, onde dois e dois dão quatro. Assim como ela, estão a medicina e o direito, que podem trazer diferentes explicações e procedimentos para uma só questão. Curandeiros podem ser bons médicos, apesar da falta do diploma. E bons cidadãos podem advogar em causa própria, caso assim optem. Com o jornalismo é a mesma coisa. Teremos sempre bons profissionais que nunca passaram por um banco de escola. E esses merecem, sim, estar empregados e produzindo um bom conteúdo noticioso. Mas sempre haverá espaço para os jornalistas com diploma, que, em tese, têm acesso mais fácil à conhecimentos dos bancos escolares que os ajudarão a produzir matérias além do lugar comum.
[...] da PEC do diploma de Jornalismo pode ser analisado em julho – multiplicam-se sites de protestos – os mais talentosos serão reconhecidos no mundo “sem diploma” – http://www.mundosindical.com.br View This Pollonline [...]