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VALE A PENA LER DE NOVO: Diário de um foca: o dia do grande furo

Postado por deco on February 5, 2010 – 17:509 Comments

vergonha

Deco Bancillon
Da equipe Manual dos Focas

Todo foca sabe da importância do furo. É o que move boa parte da imprensa. E o que dá aumento de salário, prêmio. Eu mesmo sempre quis ter um. Dos grandes, com repercussão em horário nobre. De preferência no Jornal Nacional. É um grande sonho. E aposto que deve ser o de muita gente também.

A fobia é tamanha que chego a me pegar sonhando acordado. Como hoje, segunda-feira, 29. Como lembrei em minha última coluna, recentemente fui designado para cobrir assuntos da Fazenda federal. E tudo que ela envolver, como a cerimônia em que foram anunciadas medidas de desoneração e renúncia fiscal pelo governo.

Tudo para estimular a economia. E fazer com que a roda da produção gire mais rápido.

A lógica é simples: diminui-se imposto, o produto fica mais barato e o consumidor aproveita a oferta. Se for financiado então, melhor ainda. Isso faz com que a indústria produza mais, empregue mais e recolha mais imposto para o governo. No fim das contas, todo mundo ganha. Economistas enfadonhos batizaram essa ação de política anticíclica.

E eu com isso?

É o que me perguntei logo quando cheguei ao (Palácio do) Itamaraty, onde ocorreu a maior coletiva que já participei.

Tente imaginar algo como 100 caóticos jornalistas, cinegrafistas e radialistas se acotovelando por declaração de ministro. Projete também um ambiente em que só há duas tomadas, que devem abastecer (com uma infinidade de extensões) computadores de agências de notícias. Pouco mais que 15. É ou não um lugar propício a dar merda?

E deu.

Fiquei sem tomada. Meu computador, sem energia. O que aconteceu à calça do terno que havia comprado há menos que uma semana foi ainda pior.

Desesperado, temi não conseguir transmitir a matéria, e decidi buscar por tomadas em todo o lugar. A peregrinação acabou por volta das 12h30, momentos antes de ter início o evento.

Ao tentar encaixar o fio que abastece meu computador à tomada, ouvi um som que me soou familiar. E catastrófico. Rasguei o fundo da calça de fora a fora. E fiquei com o traseiro à mostra. Sem mais nem menos.

Um grande furo. O primeiro de minha vida como jornalista diplomado. E que alegrou alguns poucos colegas da imprensa que notaram a cor da cueca que eu usava por debaixo do terno grafite.

Não sabia se sentia mais raiva da loja que me vendeu o terno podre ou dos lanches que comia de madrugada.

Pensei na gozação que seria se todos vissem. Se Lula, sempre brincalhão, usasse meu “furo” na calça para fazer alguma analogia com a economia brasileira. E de meu amigo e editor deste blog, João Porto, que sempre diz que “gordinho só faz gordice”.

Se faz.

*Artigo originalmente publicado em 30 de junho de 2009

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