Há quem seja contra, mas uma coisa não podemos negar: a incorporação de palavras estrangeiras ao vocabulário do dia-a-dia só ajuda no enriquecimento da língua portuguesa, em todos os ramos – jornalístico, publicitário, empresarial, cultural etc. É normal utilizarmos expressões como dar um find ao invés de procurar, deletar no lugar de apagar e reinicializar quando vamos reiniciar.

E é bem aí que mora o perigo. Que o digam os designers, muitas vezes chamados de design, ou que ouvem a pergunta “você faz designer?” frequentemente. Ou nós, mezzo redatores mezzo revisores, que temos que lidar com coisas como “ah, você é free lance?”
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Promoters são outra raça que, quando não ouvem dizer que “fazem promoter” têm que aguentar serem chamados de promoteres, num plural esdrúxulo.
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Aliás, lidar é outra coisa que dá trabalho, mesmo sendo um verbo bem brasileiro. Quantas vezes escorregamos e escrevemos que não conseguimos “lhe dar” com certo assunto?
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Mas, como diria alguém, “a regra é clara”. A terminação inglesa ‘-er’, que designa quem faz o quê, é que vai salvar:
O designer faz design.
O free lancer faz free lance.
Já o promoter promove, e na hora de ir pro plural vai no inglês mesmo – promoters.
*Anna Raíssa é formada em letras e atualmente trabalha como revisora publicitária em Brasília.
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Sinceramente, o que mais parece acontecer com essa mistura de inglês com português é o contrário: é o empobrecimento do português, é a formação de uma colcha de retalhos de língua. Será que esse arremedo de português vai ser aceito em um texto jornalístico formal ou mesmo em comunicações oficiais?
Recomenda-se perguntar ao leitor ou ao ouvinte mais leigo se palavras como ‘designer’ e ‘design’, como ‘free lancer’ e ‘free lance’, são ou não palavras do português. Por que ‘promoter’ se temosa promotor de eventos? E ‘designer’ em vez de desenhista técnico? Reinicializar, vá lá, mas “dar um ‘find’” em vez de procurar?
Nossa língua não é o inglês, nem um misto abastardado de inglês com português. E os exemplos dados são de uma variante mais informal da língua que em nada contribui seriamente para a expressão de conceitos profissionais em português, a não ser que as expressões respeitem as estruturas fonológicas e morfossintáticas da língua. Temos uma língua de valor internacional que em nada deve às outras. Não se trata de “xenofobia”, mas de um tratamento sério com a língua portuguesa, pelo menos em sua expressão formal.