Marcus Vinicíus
Da equipe Manual dos Focas
Brasília - Carlos Chagas é um dos mais antigos jornalistas em atividade no país, mas nunca cursou uma faculdade. Seu único diploma é o de advocacia. Ele anda dizendo que cada vez menos as pessoas querem ouvir o que ele tem a dizer. Por causa da queda do proposto pelo Superior Tribunal Federal (STF), derrubou a obrigatoriedade do diploma para o profissional de jornalismo, qualquer cidadão brasileiro pode ser considerado jornalista (Isso inclui a Gretchen e Rita Cadillac). E agora até os estudantes estão sem desculpa para “irem estudar”. Virou piada, definitivamente.
Em entrevistas, Chagas afirma que a diferença entre um diplomado e um não-diplomado é tão grande quanto a diferença entre um camelô e um advogado.Na verdade trata-se de uma discussão estéril: o espaço para não diplomados agora, está cada vez maior. E o rancor dos jornalistas com canudo (e aspirantes) destina – se contra artistas, modelos e dançarinas que conseguem espaço no meio jornalístico mesmo sem terem feito faculdade. É claro que tudo não passa pelo medo da concorrência (de fato, algumas dançarinas são mais preparadas que os diplomados!). Em cinco anos de aulas nas instituições, poucos estudantes aprendem mais do que aprenderiam em seis meses de experiência prática na redação. Os atuais cursinhos técnicos de “comunicologia” continuarão formando o pessoal que é treinado para escrever 30 linhas. (ponto) Bons de telefone. (ponto) Ou então com qualificação para buscar release na Secretária de Segurança Pública. (ponto). Para os que possuem o DNA da profissão o diploma é um detalhe.
Rafael Bastos, jornalista e integrante do “humorístico” Custe o que Custar (CQC) publicou um vídeo anunciando um “Manual de Reportagem” feito pela agência Colméia. A realidade é bem essa se formos analisar organicamente o script.
Mas antes de você pensar: “Pô, esse ‘Rafinha’ é um gênio do humor” atenção: como quase tudo na carreira do Bastos, essa é uma adaptação. É, ele pegou uma ideia de alguém (aliás, esse sim é o gênio da história) e adaptou. O vídeo, portanto, foi baseado na obra do jornalista britânico Charlie Brooker “How To Report The News”.
Veja o video
Assim, fica bem mais facil! E se não conseguimos informar(como obrigação), uma boa parte dos jornalistas brasileiros hoje poderiam ocupam outra função: a de (pelo menos) fazerem rir. Ou não(como diria Caetano Veloso).
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Muito bom o texto. Rafinha Bastos explorou uma das coisas mais ridículas que já aconteceu na história desse país. E de quebra ainda deu uma cutucada nos B.Casoy “do alto de suas vassouras”. Como disse o texto: Hj até Rita Cadillac é jornalista, com um manual desse ficou fácil demais. Não pretendo fazer uma comparação entre Relações Públicas e Jornalismo e nem mesmo defender a comunicação integrada que vem sendo cada vez mais valorizada pelas organizações. Quero hoje, manifestar a opinião por a luta que acaba de ser perdida…
No interior sabemos que os meios de comunicação sempre contrataram pessoas não diplomadas .É triste saber que um jornal paga um salário comercial por uma funcionária que está lá há mais de 10 anos…Talvez se ela tivesse um diploma…
Comparar o jornalista a um cozinheiro?
Quem sofrerá as consequências?
As universidades – particulares e federais?
Os estudantes de jornalismo que competirão em um mercado concorrido com pessoas sem nenhum referencial?
Sabemos de um jornalismo que foi reprimido em consequência da ditadura no Brasil – sabemos deste jornalismo que perdeu sua força, mas sabemos também dos jornalistas que lutaram por esta liberdade de expressão numa época onde a sociedade e seus ideais eram submetidos a um sistema político.
Parabéns pela reportagem, Manual dos Focas.
Não acho que até a Rita Cadillac ou Gretchen possam ser jornalistas, há um certo exagero. Apesar de não necessitar diploma, não é qualquer um que tem capacidade técnica ou prática para atuar na profissão.
Acredito que o diploma será obrigatório denovo um dia, todavia ter um diploma não torna ninguém um bom jornalista.