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	<title>Manual dos Focas &#187; Me formei. E agora?</title>
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		<title>Me formei. E agora? Quando tudo está perdido é hora de melhorar</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jan 2010 11:36:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Porto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Me formei. E agora?]]></category>
		<category><![CDATA[Manual do Foca]]></category>
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		<category><![CDATA[profissão jornalista]]></category>

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		<description><![CDATA[João Porto Da equipe Manual dos Focas Brasília – Na faculdade, nunca tive muitos problemas. Apesar de vir do interior, minhas raízes mineiras e goianas me ensinaram a ser um homem de fala fácil. E enrolar professores nunca foi problema. Arrumar estágio também foi tarefa simples. No primeiro mês de faculdade já estava empregado numa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>João Porto<br />
Da equipe Manual dos Focas</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Brasília – </strong>Na faculdade, nunca tive muitos problemas. Apesar de vir do interior, minhas raízes mineiras e goianas me ensinaram a ser um homem de fala fácil. E enrolar professores nunca foi problema. Arrumar estágio também foi tarefa simples. No primeiro mês de faculdade já estava empregado numa repartição pública.</p>
<p style="text-align: justify;"><a rel="attachment wp-att-4412" href="http://manualdosfocas.com/2010/01/me-formei-e-agora-quando-tudo-esta-perdido-e-a-hora-de-melhorar/decepcao/"><img class="alignright size-thumbnail wp-image-4412" style="margin: 2px; border: 2px solid black;" title="Percalços são feitos para serem superados." src="http://manualdosfocas.com/wp-content/uploads/2010/01/decepcao-150x150.jpg" alt="Percalços são feitos para serem superados." width="150" height="150" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O tempo passou e eu continuava muito confiante. No último semestre de faculdade me gabava com os colegas por já ganhar o piso da profissão, fato que me envergonho hoje em dia. Tinha dois estágios e, nos meses que antecederam a entrega da monografia, já contava com uma proposta de contratação.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo menos era o que eu achava.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o diploma na mão fui contente informar ao meu antigo chefe que ele poderia me contratar como produtor. Tudo daria certo, e não teria problemas na tão temida transição faculdade/trabalho. Acontece que meu chefe não gostou tanto do meu diploma quanto eu imaginava, e me deu uma semana para arrumar emprego dizendo que não podia mais me manter na empresa.</p>
<p style="text-align: justify;">Questão de custos.</p>
<p style="text-align: justify;">Confesso que tive ódio, mas no fundo a provação foi importante para meu futuro. O excesso de confiança que esbanjava na faculdade de nada adiantava, afinal de contas agora era um profissional desempregado.</p>
<p style="text-align: justify;">Numa sexta-feira, pedi demissão. Consegui um emprego que começaria na segunda, num programa de rádio terceirizado de um ministério, em Brasília. Pouco tempo depois fui cobrir as eleições para um jornal de grande circulação local, apenas em período de férias.</p>
<p style="text-align: justify;">Três curtos meses se passaram e a licitação da rádio foi para o espaço. E meu frila no jornal também. Fiquei sem emprego no dia do meu aniversário e resolvi tirar férias, como meu comparsa Victor. Antes disso, visitei um antigo trabalho e adiantei a todos que estava na sarjeta.</p>
<p style="text-align: justify;">Solidários, meus colegas me perguntaram se tinha aptidões para cobrir esportes numa TV local. Lembro-me muito bem o que falei naquele dia. “Do jeito que estou, cubro até fofoca.” Não sou do tipo galã de vídeo, mas encarei o desafio.</p>
<p style="text-align: justify;">Fiz o teste e não fui brilhante. Mesmo assim, fui para os braços da vovó comer pão de queijo e saborear as deliciosas cachaças mineiras. De volta à cidade grande, liguei para a TV e descobri que podia começar na segunda-feira.</p>
<p style="text-align: justify;">Felicidade total. Ser repórter de TV não estava nos meus planos, mas eu não poderia perder essa oportunidade. Passei para frente das câmeras e gaguejei muito até me adaptar ao vídeo.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando achava que estava tudo bem me veio a infeliz notícia: “Você não está pronto para o vídeo, e não queremos mais seus trabalhos aqui na emissora”, disse o editor.</p>
<p style="text-align: justify;">Para um roceiro autoconfiante, a notícia da demissão entrou como um punhal no meu peito. Ser demitido no meu primeiro emprego de grande expressão não é a melhor forma de se começar a carreira. Tentei buscar forças no meu CD do Nelson Cavaquinho, mas não deu muito certo. Precisei de algumas garrafas de whisky para me estabilizar. A dor do desemprego finalmente bateu à minha porta. Vivi um mês de tédio absoluto e muitos posts nada criativos no Manual dos Focas.</p>
<p style="text-align: justify;">Após várias ligações, consegui um novo trabalho em um pequeno jornal impresso da cidade. Hoje continuo cobrindo esportes e confesso que me apaixonei pela área, apesar de sonhar intensamente com o dia que voltarei a cobrir os bastidores da política nacional.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprendi durante o calvário que minha prepotência nos tempos de faculdade de nada adiantou, e que só o esforço pode tirar você do desemprego.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje sou um cara mais cético. Sei que falta muito para eu ser um bom profissional, e que nada nesta vida a gente conquista com facilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">O bom jornalista é aquele que mata (pelo menos) um leão por dia. Para se garantir na redação, é preciso sempre melhorar. Nunca se deve pensar que está no topo ou que tudo não passa de mais do mesmo. A sobrevivência no mercado depende muito da capacidade de se reinventar e aceitar criticas.</p>
<p style="text-align: justify;">Como repórter, acredito que cada dia acaba sendo diferente do outro, e que tudo pode mudar no próximo segundo. Manter este espírito vivo é importantíssimo para se transformar num bom profissional.</p>
<blockquote><address>A coluna <strong>Me Formei. E agora?</strong> é publicada todas as quintas-feiras. A participação do leitor é fundamental para dar continuidade a este projeto. Se você também tem vontade de contar como transcorreu sua transformação de estagiário para profissional, mande um texto para <strong>contato@manualdosfocas.com</strong> contando a sua história.</address>
</blockquote>
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		<title>Como procurei emprego nas &#8220;férias&#8221; para não irritar o estômago</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 13:33:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Me formei. E agora?]]></category>
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		<description><![CDATA[Victor Martins Da equipe do Manual dos Focas O estômago avisava diariamente que meu curso de jornalismo chegava ao fim. Era quase um ser vivo dentro de mim que agonizava de medo com a possibilidade de virar um estômago vazio de um cara desempregado. Todos os dias, ao levantar, eu repetia a pergunta: &#8220;E agora?&#8221;. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4355" title="Interrogação" src="http://manualdosfocas.com/wp-content/uploads/2010/01/Interrogação-285x300.jpg" alt="Interrogação" width="285" height="300" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://www.twitter.com/martins_v" target="_blank">Victor Martins</a><br />
Da equipe do Manual dos Focas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O estômago avisava diariamente que meu curso de jornalismo chegava ao fim. Era quase um ser vivo dentro de mim que agonizava de medo com a possibilidade de virar um estômago vazio de um cara desempregado. Todos os dias, ao levantar, eu repetia a pergunta: &#8220;E agora?&#8221;. Depois de insistir muito com o espelho e ele permanecer impassível, resolvi perguntar a alguém que tivesse boca. Neste caso, o meu chefe. Eis que a resposta foi animadora: &#8220;Ao que parece, em alguns meses, vão abrir vagas na redação. Sei que em cidades são quatro e aqui em economia deve abrir uma. Acho que pode ser possível te contratar&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Fim de conversa e meus órgãos se acalmaram. Os últimos meses da vida universitária seguiram como é tradicional: Estágio, faculdade, farra. Ressaca, estágio, faculdade e mais farra. Alguns meses depois e 15 quilos mais gordo em função de tanta festa, a crise econômica que afundou mercados e incentivou suicídios soterrou minhas esperanças de contratação. Começaram com quase uma centena de demitidos no call center. Depois, uma leva de repórteres e do pessoal do administrativo. O famoso passaralho estava em ação.</p>
<p style="text-align: justify;">O valor do dólar havia disparado e o preço do papel, cotado na moeda norte americana, também. Com o papel em alta, era difícil manter a folha de pagamentos. Então, nos últimos dias de contrato, tive mais uma conversa com o editor e a resposta tirou toda a tranquilidade do meu estômago: &#8220;Não vai ter jeito. O jornal está em contenção de gastos. As vagas que seriam abertas estão congeladas&#8221;. Ou seja, meu futuro trabalho se tornara um ex-emprego e eu, um incremento nas filas de desocupados medidas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos (Dieese).</p>
<p style="text-align: justify;">Ao fim do estágio ocorreram despedidas emocionadas, lágrimas nos olhos, um habitual e-mail de agradecimento e nada mais a fazer no restante do dia. Sem perspectiva de sustento, mas decidido a encontrar um emprego, tirei férias de 15 dias. Fui conhecer Aracaju, em Sergipe, com a namorada. Umas poucas economias da época de estágio foram suficientes para me bancar. Nesse momento do texto é a hora de todos pensarem: &#8220;Que absurdo, o cara queria um emprego e tirou férias?!&#8221;. Claro que fui descansar. Depois de cinco anos acordado 20 horas por dia para alcançar o meu sonho de ser jornalista, eu merecia descanso.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando faltavam poucos dias para o retorno à minha terra natal, Brasília, uma amiga da antiga redação me ligou e disse que havia uma possibilidade de emprego em uma assessoria. Montei uma mega operação para conseguir dinheiro emprestado com minha mãe. Remarquei a passagem para o dia seguinte e em pouco mais de 24 horas do telefonema da tal colega, aterrissei em terras candangas. Mas, para meu infortúnio na época, o emprego não deu certo. A pessoa que demitiriam, teve uma segunda chance.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de algumas semanas e poucas entrevistas, eis que recebo a ligação de um grande amigo (por sinal era o editor deste estimado blog). &#8220;Tem uma vaga na Record, liga lá e conversa com o chefe de reportagem&#8221;. Foi o que fiz. Liguei, mandei currículo, fui à Record e 30 minutos passados do fim da entrevista, o editor me ligou. Eu estava contratado.</p>
<p style="text-align: justify;">Daí foram seis meses na emissora trabalhando na madrugada, seguidos de meu pedido de demissão para voltar ao Correio Braziliense, casa gráfica que me emprega até hoje. Meu estômago nunca mais ficou estressado, descobriu que no jornalismo as boas relações, somadas a empenho e dedicação, sempre podem salvar seu orçamento familiar.</p>
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		<title>Me formei. E agora? O caminho inverso da profissão não é o bastante para o jornalismo</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Dec 2009 11:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>deco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Me formei. E agora?]]></category>

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		<description><![CDATA[Lali Mariáh Da equipe Manual dos Focas Brasília - Antes mesmo de sair da faculdade, eu já tinha emprego, carteira assinada e a doce ilusão de que aquele era o caminho a seguir. A oferta de R$ 800 reais a mais e a segurança dos direitos trabalhistas não me deixaram enxergar o extenso caminho que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Lali Mariáh<br />
Da equipe Manual dos Focas<img class="alignright size-medium wp-image-4191" title="desemprego" src="http://manualdosfocas.com/wp-content/uploads/2009/12/desemprego-200x300.jpg" alt="desemprego" width="200" height="300" /></strong></p>
<p><strong>Brasília -</strong> Antes mesmo de sair da faculdade, eu já tinha emprego, carteira assinada e a doce ilusão de que aquele era o caminho a seguir. A oferta de R$ 800 reais a mais e a segurança dos direitos trabalhistas não me deixaram enxergar o extenso caminho que eu teria como recém-formada. </p>
<p>Dois anos após, lá estava eu com diploma e registro em mãos. E o significado daquilo? Eu não sabia. E confesso que ainda não sei. </p>
<p>Um dia, resolvi tentar novos caminhos. Montei um belo currículo e distribuí para todos que conhecia e que o Google me mostrou. Nada de volta. Resolvi então ser mais atrevida. Já não queria mais assessorar ninguém. Pensei: &#8220;Vou investir na vontade de escrever em revistas&#8221;. E lá vamos nós! Currículos, telefonemas, indicações&#8230; </p>
<p>E lá se foi o meu resumo de vida. Estacionou bem nas mãos do meu antigo chefe. Ele, que tinha como esposa a dona de uma dessas revistas, me questionou sobre o meu descontentamento. Imprensada na parede, me senti invadida. Ora! Quem ele pensou que era para me questionar assim? Fazia meu trabalho, não ouvia nenhuma reclamação. E ele ali me julgando.  Eu tinha vontades! Vontade de correr atrás do tempo que perdi em uma única área, enquanto podia conhecer todas. </p>
<p>Perceba, caro foca. Não se prenda em um único estágio acreditando que o emprego possa ser a verdade de sua vida. Não que eu tenha feito só um durante quatro anos. Mas me rendi a sempre assessorar, assessorar e assessorar. Naquela época, era o meu maior desejo, mas as vontades mudam e as expectativas te consomem. </p>
<p>Completo dois anos de formada e hoje não me sinto nem na metade de onde imaginei estar. Levo uma assessoria nas costas, mas não tenho coragem de assinar como “assessora de comunicação”. Sei das minhas qualidades, do meu empenho, mas não acho que eles sejam visíveis ao mercado. Há os que digam que tenho tudo nas mãos. Mas eu não creio que seja simples assim.</p>
<p>Formei-me. E daí? Tenho um pouco mais de dinheiro no bolso, consequentemente mais contas a pagar. Deixei de lado uma pós que desejava e assumi outra para “investir” na carreira. Que carreira?! Faço o caminho inverso de todos os jornalistas. Começo pela assessoria e não vejo um atalho para sair dela. Assumo a mea culpa e adiciono uma pitada de antipatia ao mercado.</p>
<p>Não sei como vim parar no <strong>Manual dos Focas</strong> e com apenas um texto publicado meu pai se orgulha imensamente disso. Como diz o João Porto, talvez seja esse o início de um plano ambicioso para dominar o mundo.</p>
<img src="http://manualdosfocas.com/?ak_action=api_record_view&id=4189&type=feed" alt="" /><h3  class="related_post_title">Leia também</h3><ul class="related_post"><li>December 18, 2008 -- <a href="http://manualdosfocas.com/2008/12/congresso-internacional-de-jornalismo-investigativo/" title="Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo">Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo</a> (0)</li><li>May 12, 2009 -- <a href="http://manualdosfocas.com/2009/05/folha-premiara-melhor-pesquisa-academica-sobre-historia-do-jornalismo-brasileiro/" title="Folha premiará pesquisas sobre história do jornalismo brasileiro">Folha premiará pesquisas sobre história do jornalismo brasileiro</a> (0)</li><li>February 14, 2009 -- <a href="http://manualdosfocas.com/2009/02/passaralho-em-recife/" title="Passaralho em Recife">Passaralho em Recife</a> (0)</li><li>May 14, 2008 -- <a href="http://manualdosfocas.com/2008/05/corinthians-passa-para-a-proxima-fase/" title="Corinthians passa para a próxima fase">Corinthians passa para a próxima fase</a> (0)</li><li>August 19, 2008 -- <a href="http://manualdosfocas.com/2008/08/hezbollah-sequestra-equipe-da-tv-globo-e-correspondente-brasileiro-da-bbc/" title="Hezbollah seqüestra equipe da TV Globo e correspondente brasileiro da BBC">Hezbollah seqüestra equipe da TV Globo e correspondente brasileiro da BBC</a> (0)</li></ul>]]></content:encoded>
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		<title>Manual estreia coluna Me formei. E agora?</title>
		<link>http://manualdosfocas.com/2009/11/manual-estreia-coluna-me-formei-e-agora/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 Nov 2009 11:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>deco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Me formei. E agora?]]></category>

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		<description><![CDATA[Quantos de nós perderam noites de sono temendo o desemprego? Quantos não foram os estudantes de jornalismo que, de uma hora para outra, deixaram de ser o &#8220;futuro da Nação&#8221; para se tornar um &#8220;problema social&#8221;? Quem, de verdade, não sonhou ser convidado para trabalhar em um grande veículo assim que terminasse o curso, apesar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><img class="alignright size-medium wp-image-4118" title="desemprego" src="http://manualdosfocas.com/wp-content/uploads/2009/11/desemprego-200x300.jpg" alt="desemprego" width="200" height="300" />Quantos de nós perderam noites de sono temendo o desemprego? Quantos não foram os estudantes de jornalismo que, de uma hora para outra, deixaram de ser o &#8220;futuro da Nação&#8221; para se tornar um &#8220;problema social&#8221;? Quem, de verdade, não sonhou ser convidado para trabalhar em um grande veículo assim que terminasse o curso, apesar de só ter escrito matérias para o jornal laboratório?</p>
<p>Sim, caros focas, sabemos bem o que é passar por essa situação. Lembramo-nos dos dias corridos da faculdade, dos últimos trabalhos, das festinhas de despedidas em nossos estágios e da cobrança. E não me refiro aos tapinhas nas costas de boa sorte, mas da cobrança implícita que depositam em nós assim que ganhamos o canudo.</p>
<p>Por isso, nasce o <strong>Me formei. E agora?</strong> A coluna semanal vai contar os detalhes do momento mais decisivo da nossa vida profissional. O vai ou racha. O agora ou nunca. Quem abre esta seção é o nosso editor de conteúdo, Deco Bancillon. Antes de se formar, o já workaholic jornalista fez de tudo para ser contratado no estágio. Mas deu com os burros n&#8217;água. Tempo depois, a sorte lhe mostrou a cara, e hoje Deco ocupa vaga de repórter em um jornal em Brasília.</p>
</blockquote>
<p><strong>Me formei. E agora? Bem vindo ao mercado, jornalista sem emprego</strong></p>
<p><strong>Deco Bancillon<br />
Da equipe Manual dos Focas</strong></p>
<p><strong>Brasília -</strong> Aconteceu de uma vez, sem que alguém me avisasse. De uma hora para outra, me vi disputando vaga no mercado de trabalho. Olho por olho. Dente por dente. O estágio havia chegado ao fim. E eu não seria efetivado. “Não há vaga, Deco. Pedi que criassem uma, mas não vai rolar. Sinto muito”, me disse, à época, o editor, um sujeito galante, cabelos longos, barba por fazer e muito competente.</p>
<p>Ele continuou a cartilha do “foi bom enquanto durou, mas agora é com você”. Lembrou-me que o jornal estava em situação de contenção de despesas. E prometeu me indicar para algum freela, caso ele soubesse de algum. Como derradeiro gesto cavalheiresco, lutou para que a última matéria que eu propusera ganhasse a capa do caderno.</p>
<p>E foi tudo o que recebi por um ano e dez meses de suor e trabalho duro. Isso e um vale-peru (o bônus de Natal dado aos funcionários), que equivalia, na ocasião, a menos da metade de um salário mínimo.</p>
<p>Não era o que eu esperava ouvir após ter feito o que fiz. Lembro-me do dia em que o mesmo editor me ofereceu estágio no caderno de Economia, alvo das minhas investidas durante longos meses. Muito calmo, me explicou que eu faria personagens para os repórteres, mas que minha prioridade seria produzir uma coluna de marketing. E mais nada.</p>
<p>A leitura que se podia fazer da proposta é que eu seria um jovem felino que batalha por carcaças podres descartadas pela alcatéia. Nadaria no limbo do jornalismo. Teria menos espaço no jornal que o tiozinho do Xerox. Ou seja: me convenceu na hora!</p>
<p>Em dez meses, percebi que a forma como se veste conta muito para um jornalista de economia. Aprendi que nunca se pode confiar numa só caneta; ou mesmo no gravador, que insiste em falhar nos momentos em que mais precisa; ou no lide e suas perguntas banais, que só respondem aos dois primeiros parágrafos.</p>
<p>Nesse tempo, pelo trabalho, desperdicei a chance de me tornar repórter de um jornal de um grande grupo editorial de São Paulo, talvez o maior do país, por achar que, quando acabasse o estágio, seria contratado de pronto. O que se mostraria, meses depois, ser uma aposta infeliz.</p>
<p>Não por eu ter perdido a chance de impressionar bons professores na faculdade, que nunca entenderam meus atrasos sempre justificados pelos prazos curtos do fechamento. Não por ter acumulado peso, ter deixado de ler os livros-reportagens que me fizeram querer ser jornalista. Ou muito menos pelas inimizades que fiz por ostentar uma metidez boçal, como é boçal toda metidez, seja ela qual for.</p>
<p>Os dez meses que passei no estágio que sempre sonhei fazer fizeram eu me tornar o babaca que tento não ser todos os dias. Um boçal jornalista com quem simpatizo. E com quem converso sempre que volto sozinho para casa, após um duro dia de serviço. Mas também me mostraram que persistir vale a pena.</p>
<p>E foi o que fiz. Mesmo decepcionado, aceitei a notícia do desemprego. O prometido freela que meu ex-editor havia mencionado realmente rolou. Mal concluí o serviço, surgiu um novo, cuja indicação partiu de um colega da época do estágio. Em um mês, pintou convite para voltar para o grupo editorial que fiz estágio, para cobrir economia em um jornal menor. Sete meses depois, me convidaram a retornar para o lugar que sonhei não deixar quando me formei.</p>
<p>Deu certo!</p>
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